A
sociedade não sabe disso
Vou
falar da justiça criminal no Brasil, mas quero, antes, contar uma história
real: uma pescaria de rãs.
O
que é que isso tem a ver com a justiça criminal? O resultado.
Éramos
três rapazes a caçar rãs numa lagoa. Aquele batráquio que vira uma deliciosa
iguaria da culinária do interior sul-abrasileiro. Um de nós estava com o saco
dentro do qual as rãs apreendidas eram depositadas. Depois de uns 30 minutos,
todos concordamos que possivelmente haveríamos ter recolhido mais de uma
centena delas. O saco de estopa arrastava-se preso ao braço do seu carregador.
Parecia pesado.
Vamos
embora, então? Sim. Ergue o saco. Nenhuma rã dentro dele. Um buraco no fundo do
saco permitia às rãs se evadirem. Muitas delas podem ter sido apreendidas mais
de uma vez. Uma brincadeira nossa com elas?
Bem
assim está a justiça criminal. Existem delinquentes com mais de 50 passagens
pelo distrito policial levados à audiência com o juiz e, que pena, o saco está
furado, manda o bandidinho, bandido, bandidão pra casa, a lei não permite que
ele seja recolhido para pagar pelo que fez.
Enxugar
gelo. Assim a polícia se sente ao recolher por inúmeras vezes o mesmo safado,
violento, impiedoso e ao vê-lo voltando pra casa. Melhor dizendo, voltando pra
rua.
A
lei não deixa, o advogado colabora, e a vida apodrece. E você faz o que?
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