quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Uma justiça capenga


A sociedade não sabe disso

Vou falar da justiça criminal no Brasil, mas quero, antes, contar uma história real: uma pescaria de rãs.

O que é que isso tem a ver com a justiça criminal? O resultado.

Éramos três rapazes a caçar rãs numa lagoa. Aquele batráquio que vira uma deliciosa iguaria da culinária do interior sul-abrasileiro. Um de nós estava com o saco dentro do qual as rãs apreendidas eram depositadas. Depois de uns 30 minutos, todos concordamos que possivelmente haveríamos ter recolhido mais de uma centena delas. O saco de estopa arrastava-se preso ao braço do seu carregador. Parecia pesado.

Vamos embora, então? Sim. Ergue o saco. Nenhuma rã dentro dele. Um buraco no fundo do saco permitia às rãs se evadirem. Muitas delas podem ter sido apreendidas mais de uma vez. Uma brincadeira nossa com elas?

Bem assim está a justiça criminal. Existem delinquentes com mais de 50 passagens pelo distrito policial levados à audiência com o juiz e, que pena, o saco está furado, manda o bandidinho, bandido, bandidão pra casa, a lei não permite que ele seja recolhido para pagar pelo que fez.

Enxugar gelo. Assim a polícia se sente ao recolher por inúmeras vezes o mesmo safado, violento, impiedoso e ao vê-lo voltando pra casa. Melhor dizendo, voltando pra rua.

A lei não deixa, o advogado colabora, e a vida apodrece. E você faz o que?

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