segunda-feira, 12 de outubro de 2020

 

Para entender Damares

 

É só uma questão de estilo. Há, em plena ebulição no Brasil, duas fortes correntes antagônicas capazes de, se não houver civilidade, evoluírem para a pancadaria. Uma delas se diz moderna, defende o aborto, quer mais direitos às minorias sociais e nos deu governos de burocratas em que o Estado serve às elites, como foi desde 1808, quando fomos a capital de todos os portugueses. A outra corrente se diz conservadora e religiosa, contra o aborto e defensora da família. Teria muito mais a dizer de uma e outra corrente, mas não vale a pena. Quando Abraham Weintraub e Damares Alves defendem suas posições e nisso também se inclui o PR Jair, o fazem radicalmente, exatamente como fazem os seus opositores. Não existe tese, existe petardo.

A grande onda conservadora que deu a vitória ao Bolsonaro estava quieta durante o longo período em que a chamada ala moderna se perdeu, foi longe demais na apropriação do dinheiro público, coisa que sempre existiu no Brasil, mas era menor ou muito bem escondida. E quando revelada (graças a duas coisas básicas: a jovem presença da classe média nos cargos do Ministério Público, da Polícia Federal e da Justiça), a imensa maioria brasileira que trabalha, contribui, preserva valores de honra e pudor, descobriu que não estava abandonada e foi às ruas e às urnas.

Como jornalista (velha guarda) e ciente de que a maioria dos telespectadores, ouvintes e leitores vem da classe média, que é a mesma que compra os produtos e serviços dos seus anunciantes, não consigo entender por que a mídia oficial está tão distante dos seus públicos mais numerosos. Aliás, entendo, as faculdades ensinam os nossos comunicadores a abrir guerra com o empregador, e então começa pelo dono do veículo que lhe paga e se estende para todos aqueles que empregam trabalhadores em todo o universo privado.

É pena que Jair Bolsonaro e alguns de seus porta-vozes não tenham sabido comunicar-se com mais de 70% dos brasileiros cristãos, família, honrados, dependentes de seu trabalho como empreendedores ou empregados. Essa legião infindável de eleitores se bem trabalhada com a informação não radical, mas não avessa aos seus valores, jamais elegerá os nomes preferenciais da mídia moderninha. E os anunciantes desses veículos atravessados diante da realidade brasileira começarão a mendigar verbas de onde manter-se. É só uma questão de tempo.

Damares é o extremo da posição conservadora, mas não choca o Brasil honrado. Ela apenas precisaria ser mais discreta. A família brasileira entende Damares.

Todos os formadores de opinião deveriam dizer para o Brasil honrado que nenhuma nação prospera em que sua elite vive dependurada nas tetas do poder público. Olhem para o mundo. As maiores riquezas vêm da geração de renda pelos setores primário, mas fundamentalmente do secundário e terciário. Quando a elite rica tem privilégios não oriundos do empreendedorismo, como temos aqui, o dinheiro não é reaplicado na geração de empregos e oportunidades. Assim se explica a pobreza, o desemprego, a favela, a miséria.  

Este jornalista velha guarda não era inimigo do seu empregador. Nunca a guerra e sim a parceria entre trabalho e capital irá gerar prosperidade. E na imprensa da minha época havia prosperidade, havia emprego, o PIB crescia.

É o que penso sem ser radical.

domingo, 23 de agosto de 2020

 

Uma dívida monstruosa

 

Eu criei dois blogues através dos quais expresso meus sentimentos e exteriorizo minhas reflexões. Um deles se chama “Maioridade Espiritual”, dedicado a contribuir para a elevação humana acima do barro do qual fomos constituídos, o húmus, de onde deriva a palavra “humano”; o outro “Cidadão 21” é um blogue político, filosófico, jornalístico, dedicado a chamar o cidadão e a cidadã para a maioridade cívica, deixar de ser massa de manobra de políticos safados que mentem para eleger e se elegem para se aproveitar da Pátria.

Até tenho sido relapso publicando muito pouca coisa nos dois blogues, quem sabe até por desencanto sobre muitas coisas.

Mas, esta semana, entre meditações e leituras enquanto dura o afastamento social decretado pela ditadura dos déspotas da pandemia, surgiram reflexões que têm muito de espiritual e de política de Estado, logo cabem nos dois blogues. É o que farei. É o que estou fazendo.

Que reflexões são essas? Simples. Estamos em pandemia. 90% dos brasileiros foram atingidos em seus ganhos. Quem não perdeu? Não perderam aqueles que recebem dos cofres públicos nos três poderes. Com relação aos valores lícitos recebidos por eles, nenhum perdeu nada, até ganhou, pois não foram poucas as denúncias e investigações sobre corrupção na montagem de hospitais de campanha, na compra de materiais e de remédios. Quem mais perdeu? Aquele brasileiro pobre que precisou ficar em casa com 600 reais (se é que teve acesso) e que todos sabemos mal dá para servir a mesa.

Por que essa discriminação? Por que esses privilégios, que o Senado tentou garantir ao bloquear vetos do presidente contra aumentos a servidores públicos enquanto durar a pandemia?

Ora, meu amigo leitor, deixemos de ser infantis, essa mesma situação vem desde o descobrimento deste nosso amado Brasil.

Para cá foram mandados presidiários que estavam segregados nas masmorras portuguesas com a missão de ocupar o solo, porém sem nenhum recurso, sem nenhum apoio. Em seguida vieram os africanos escravos, para ser vir de mão-de-obra gratuita nas fazendas, minas, engenhos e mansões dos poderosos protegidos pelo Império.

Logo depois viram os excluídos da Europa, alemães e italianos, principalmente, alguns para serem “escravos” nas plantações de café, outros para ocupar terras sem nenhum valor porque eram pirambeiras. E de novo todos sem nenhum apoio oficial.

A escravidão foi abolida e os escravos abandonados à própria sorte, enquanto cada dia mais iam se formando ilhas de privilégios nos gabinetes oficiais. Sabem quanto ganham os privilegiados em relação aos não privilegiados? Mais de 100 vezes mais.

Sabem aonde os privilegiados aplicam as sobras de suas rendas? Em viagens ao exterior, em compras no exterior e em mercado de capitais que não geram empregos.

Sabem aonde os não privilegiados batem à procura de empregos? Nas portas das empresas de brasileiros que sofrem com falta de recursos, sofrem com a falta de funcionários qualificados, sofrem com a falta de financiamentos, sofrem com a falta de mercado para sua produção, sofre com a falta de poder aquisitivo da imensa maioria daqueles que poderiam ser consumidores potenciais.

Está instalado o círculo vicioso: o dinheiro dos tributos (que é muito grande) apenas em pequena parte volta para gerar desenvolvimento, pois é abocanhado por uma minoria privilegiada que aplica fora do princípio gerador de desenvolvimento.

Essa é a dívida monstruosa, não apenas política, mas também, e muito, espiritual, de nossa Pátria para com seus patriotas.

 

Reage Brasil.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018


A tristeza de um antigo eleitor

Meu primeiro voto elegeu Juscelino Kubitschek.

E concluo que nos últimos 90 anos de sua história, o meu país registra que apenas três presidentes eleitos concluíram os mandatos para os quais foram eleitos e reeleitos.

Washington Luiz foi derrubado; Getúlio Vargas se suicidou; Jânio renunciou e seu vice (Jango) foi derrubado; Collor foi cassado; Dilma foi cassada. Então já dá para deduzir que JK, FHC e Lula foram os únicos três a concluir seus tempos de mandato. Os demais presidentes não receberam votos populares.

É muito pouco para dizer que temos democracia. É um democratismo meia boca, uma democracia fajuta.

O antro deve estar no Congresso onde os eleitos fazem qualquer negócio em troca de compromisso com os temas colocados para deliberar. O compromisso não é com a Nação, é com as vantagens dos congressistas.

Por conta dessa deturpação, a Suprema Corte é composta por magistrados marcadamente comprometidos com quem os indicou e os aprovou. Todo o caminho da justiça, desde a Comarca de primeiro grau, é palmilhado por integrantes concursados que fizeram jus à conquista, que sabemos, também não é perfeita, mas é a que temos. E quando chega ao Supremo, último degrau da Justiça, tem ministro que vota não pelo que é justo e direito, mas segundo sua capacidade de argumentar pra lá ou pra cá, segundo suas ligações com aqueles que o conduziram ao cargo.

Desde Pedro II temos corrupção escancarada no poder e todos nós tínhamos conhecimento disso, não pelos livros da História, mas pela capacidade de interpretá-los, menos a imprensa, menos os servidores do poder corrupto e menos todo o sistema judicial capitaneado pelo eleitoral.

A mais absurda última decisão foi manter a chapa Dilma-Temer quando todas as provas indicavam que houve crime eleitoral. Mas os ministros do TSE preferiram assassinar a Lei e manter a farsa.

Pois, bem, a Lava Jato parece estar cumprindo um papel histórico que é da justiça, consegue trazer consigo uma boa parte da imprensa e agora os servidores, mas, principalmente, boa parte do povo brasileiro que já decidiu dar um basta na ladroeira.

Estou convicto de que barrar apenas a ladroeira, é pouco.

E o que é pior: chegamos a isso e sucateamos o País. Os serviços públicos apodreceram. Sobram a Receita Federal e parte da Polícia Federal. E os impostos consomem 34% do Produto Interno Bruto.

Vejo, entristecido, as guerras no Facebook e nas redes sociais muitas vezes colocando em choque pessoas que na realidade são amigas de longa data, um defendendo A e acusando B, outra defendendo B e acusando A, enquanto nada, nada mesmo, é falado ou providenciado para corrigir os verdadeiros e cruciais males de nosso país. Dá impressão que A quer vencer para se apoderar dos privilégios de B e vice versa.

Não deveríamos estar caminhando para eleições gerais e sim para uma Constituinte que fosse capaz de varrer o lixo jurídico. Este país de advogados construiu um emaranhado capaz de enrolar qualquer coisa como justa. Os privilégios assustam, amortalham o futuro da legalidade. A imprensa não é livre, está amarrada na origem. Mente e inventa.

Gente, vamos acordar. Precisamos discutir na Internet, a própria Internet, o sistema eleitoral, os partidos, os impostos, a remuneração de quem tem cargo público, a transparência, a educação, a segurança, a previdência, o foro privilegiado, a melhoria da ficha limpa, a tributação das igrejas e suas rádios e tevês, tanta coisa que virou privilégio de uns e cativeiro de outros. E não nos enganemos, se não for debaixo para cima, jamais virá. Se depender de vereadores, prefeitos, deputados estaduais, governadores, deputados federais, senadores, presidentes, tudo ficará como está ou piorará.

E então você poderia pensar: para quem eu daria eu meu voto?

Lógico que seria para aqueles que assumissem o compromisso de limpar a pauta do parágrafo anterior. Não acredito que haja. Irei entristecido para a urna e, neste instante, lhe garanto, não sei em quem eu votaria. Branco e nulo, não, com certeza.

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Segunda-feira só feriado em SP


Bem, acabou a copa, é segunda-feira, vamos trabalhar

Engraçado, não? O brasileiro padrão se encanta com futebol nos clubes e mais ainda quando a disputa significa o primeiro lugar no Brasil, na América, no mundo. Faz isso também com o carnaval. Larga tudo, tira férias, gazeia serviço, gazeia aula, compromete o orçamento familiar, mas não fica de fora de uma festa assim como estas duas e muitas outras.

O sábado, 7de junho de 2018, terá ares de quarta-feira de cinzas. Toda a carne e toda cerveja e os foguetes estocados ficarão para outra oportunidade.

Temer, o Congresso e o STF que se cuidem. Brasileiro de ressaca é um perigo. A Dilma desceu a rampa logo depois dos 7x 1.

Mas, não. O Temer tem a seu favor o recesso forçado da campanha eleitoral e o fato de faltarem poucos meses para deixar a faixa presidencial e ser processado pela Justiça de primeiro grau.

O que precisa ser perguntado é o que que os brasileiros vão fazer em outubro.

Nós temos uma multicentenária cultura de paternalismo governamental inaugurado aqui desde antes da chegada da Coroa Portuguesa, em que se doavam terras através de capitanias hereditárias, continuada depois da Coroa com as concessões de títulos de nobreza, em que os barões, condes e viscondes respondiam por retribuir ao poder central e mais uma vez faziam a parte no paternalismo, que deu origem aos partidos populistas. A Casa Grande acenava com algumas benevolências e a Senzala exultava de felicidade e caía na euforia do samba ou coisa parecida, como ainda vai acontecer.

A Constituição de 1988 trás quatro deveres e 127 direitos aos cidadãos. Então a galera deita e rola atrás dos benefícios sem se importar com o circo em chamas. Não é culpa da galera, as elites ensinaram isso pela prática. É raro você encontrar um político que não tenha misturado o dinheiro público com o seu, desde o presidente até o ascensorista do elevador da repartição menos importante.

Então, o presidente de 2019 tem de ser um salvador, como já foram Getúlio Vargas, Jânio Quadros, os militares de 1964, o Collor, o Lula. Esta cultura é a única que toma ferro a cada novo salvador que encontra e volta a cair no mesmo buraco, achando que a queda se deve à educação que recebeu.

Estamos a algumas semanas da eleição presidencial e já tem salvador no pedaço.

Vai ser muito difícil e muito demorado nós, brasileiros elegermos um Projeto de Nação, com linhas claras de gestão da coisa pública. Continuaremos a procura de um salvador. E este, por não ter compromisso algum com nenhum projeto que não seja o populismo que se vale do futebol e do carnaval, entre outras cachaças, fará o que bem entender. Poderá dar certo em parte, mas ele, por falta de respaldo da sociedade, terá de comprar os votos do parlamento e do supremo para fazer o que ele quiser enquanto estiver no poder. E haja mais corrupção. Ou então haja impeachment, renúncia, golpe de estado.

E o eleitor, embriagado pelas cachaças que consumimos em nome de uma cultura mal acostumada, irá repetindo ressacas e chorando misérias. Não sei até quando.

Mas, dia 9 de julho de 2018, apesar de feriado em São Paulo, é segunda-feira para todo o Brasil. Vamos trabalhar, cambada. A copa acabou pra nós.

domingo, 8 de abril de 2018

Estamos indo bem


Pois, então, o preso é um símbolo

Nem imaginem que esteja tudo acabado. A prisão de Lula sinaliza que também outros ex-presidentes podem responder penalmente por seus atos ou omissões. A fila não é pequena. Estão nela Sarney, Collor, Dilma, Temer e possivelmente FHC. Só se salva Itamar?

Lá fora também estamos assistindo presidentes trancados na cadeia.

Isso não é feio para a democracia. É feio só para quem queira encobrir as sacanagens com chicanas verbais fruto de ignorância ou má fé.

Vamos aos principais lances futuros em nosso País: o foro privilegiado esperou Maluf envelhecer para ser trancafiado e requerer liberdade por caridade. Parece que o foro privilegiado vai cair. 99,9% dos que se escondiam atrás dessa excrecência jurídica serão processados por juízes de primeiro lugar, nomeados por concurso público e relativamente isentos de compromissos com legendas ou pessoas, como é o caso dos ministros do STF.

Se outra excrecência for afastada, que é o trânsito em julgado só depois da sentença em terceiro grau, também as prisões poderão ser decretadas, como no caso de Lula, assim que o segundo grau se pronunciar. Isso vale para a justiça federal e para a justiça estadual, onde os processos tramitam.

O absurdo da presunção de inocência alegado para criminosos precisa ser alterado para presunção de não prejuízo coletivo ou individual. As vítimas descansarão suas tumbas.

Acaba o protelatório e as condenações poderão surgir em, no máximo, dois anos ali no primeiro e segundo graus onde as provas são analisadas. Acima disso é chicana protelatória.

Pois, bem, o homem está preso. E agora? Mesmo assim, com toda simbologia desse ato patriótico, ainda não estaremos livres da corrupção. Será preciso leis severas que cassem o registro da empresa que corromper, cassem os direitos civis de quem se corromper, sem prejuízo do ônus penal. As licitações precisam confrontar os preços aprovados com os preços de mercado. Hoje acontecem seleções de empresas aprovadas em processos licitatórios que oferecem muito menos que o valor de mercado e depois buscam aditivos ou que oferecem absurdos acima dos preços de mercado, mas ainda são valores abaixo do valor dos concorrentes daquela licitação.

Brasileiros de alma limpa, é nossa hora de batalhar para colocar nossa Pátria num caminho do qual possamos nos orgulhar.

Vai diminuir a carga tributária. Por um lado, a roubalheira será mínima; de outro, a política deixará de ser atrativa aos safados e assim diminuirá o número de cargos em comissão.


quarta-feira, 28 de março de 2018

Nossa democracia por um fio


Fugiu do controle, esse é o espanto

Se nós fizermos um retrospecto do que aconteceu no País nos últimos 20 anos, no mínimo, iremos encontrar escolas de formação de lideranças trazendo mestres de Cuba para ensinar como se age.

Ora, Fidel havia feito isso, com sucesso naquela Ilha: o judiciário inteiramente aparelhado para julgar segundo os interesses de “la revolución”; parlamento lá não há, são os líderes comunitários que aprovam o que o governo deve fazer; aqui o parlamento teria de ser comprado; e, claro, o executivo lá tem um comandante supremo, quase um deus, exigindo que as pessoas se descubram e se curvem por onde ele passa ou diante das ordens que emana; aqui o deus barbudo estava em construção.

O PT liderou o grupo de partidos comunistas exatamente porque se organizou melhor desde as Comunidades Eclesiais de Base e desde as Pastorais que a Igreja Católica colocou à sua disposição no início de tudo. Daí nasceram o MST, o MTST, o Movimento dos Atingidos por Barragens, a CUT e, evidentemente, num determinado momento alguém disse: “não basta a organização interna e nem o comando central, nós precisamos chegar ao poder e se não for pela força (como foi em Cuba), nós precisamos ir às urnas, precisamos de um partido político”. Nasceu o PT. Por ser mais organizado, com mais capilaridade e mais recursos, inclusive vindos de Cuba, tomou a frente de uma meia-dúzia de outros partidos que passaram a ser membros de uma frente.

Quando chegou ao Planalto, em 1º de janeiro de 2003, Lula sabia que dificilmente deixaria o poder. O projeto teria que durar o quanto pudesse, que nem em Cuba. Por isso, o aparelhamento do Estado: todos os setores são ou estavam controlados pelo PT, a partir dos sindicatos, das repartições, motoristas, ascensoristas, copistas, chefes de setores, assessores, diretores, presidentes de estatais, todos treinados para fazer o que era preciso e boicotar o que não interessava. Em dia de comício, ai daquele que não fosse à rua, perderia a função, bem ao estilo Fidel, desde o assentamento sem-terra lá do fundão, até as assessorias do presidente da República em Brasília, tudo sob o controle, aparelhado.

Espera, há um destaque: os militares das três forças precisavam ficar sob o comando de um comunista e foi isso mesmo que aconteceu a partir de Celso Amorim, quando o pudor arrefeceu e os generais, brigadeiros e almirantes das novas safras já estavam mais simpáticos à causa lulista.

Foi por isso, leitores, que o impeachment de Dilma doeu tanto e foi chamado de golpe. Sim, foi um duro golpe nos projetos do PT. Da verba total desviada das estatais, como é mostrado no caso Petrobrás (6,5 bi e ainda faltam Caixa, BB, Eletrobrás, BNDES, Correio e outras de menor volto), mais que um terço do total foi para o caixa eleitoral. O PT tem dinheiro para eleger três presidentes. E por isso a sentença de Moro e do TRF4 dói tanto. O principal nome para as urnas irá para a cadeia. O segundo nome está a caminho da cadeia e o terceiro não tem densidade para vencer.

O plano equivalente ao de Fidel caiu por terra quando Dilma foi cassada e quando Moro assinou a sentença de Lula.

A esperança é que o STF livre a cara do ditador brasileiro, mas agora setores da sociedade organizada, o povo e principalmente os militares que não estiveram no poder nesses 20 anos, representam um obstáculo à ditadura lulista e uma garantia à democracia brasileira.

Toda arranhada pelo aparelhamento das instituições (a maior prova está no STF, onde oito dos onze ministros foram nomeados pelo PT), a democracia caminha assustada: se livrarem Lula no STF ele pode voltar ao poder e daí ninguém mais o tira de lá. Se Lula for preso, as quadrilhas vermelhas poderão sair em bando pelas ruas em depredação e a guerra civil pode explodir ainda maior que a que já existe, por exemplo, no Rio de Janeiro.

Este é um dos momentos mais graves da Pátria a chamar pelo bom-senso daqueles que não têm interesse em cargos públicos nem pela corrente do PT ou de qualquer outro partido: chamo a atenção dos brasileiros que geram riquezas investindo ou trabalhando, pois daí que vive nossa Pátria.

domingo, 25 de março de 2018

Para lembrar do outro Brasil


Assim também se entra pra história



A poucos homens e a poucas mulheres, na história da humanidade, tem sido dado poderes, recursos e capacidades para inscreverem seus nomes entre os mais destacados exemplares da espécie. A alguns e algumas, esses poderes, recursos e capacidades são dados nas artes, nos esportes, nas ciências, na economia ou na política, além de tantas outras áreas e, muitas vezes, reunindo mais de que uma só área. Assim foi com certos personagens que jamais esqueceremos ou que jamais serão esquecidos por grandes segmentos humanos, como é o caso de Maomé, Newton, Jesus, Sidarta, Confúcio, Maria de Nazaré, Madalena, Cleópatra, Colombo, Einstein, Galileu, Aristóteles, Churchil, Florence Nichtingale, Joana D’Arc, Shakespeare, Descartes, Freud, Bach, Kennedy, Bacon e dezenas de outros.

Muitos desses senhores (e é estranho, muito poucas mulheres), deixaram elogiáveis obras, coisas para o bem. Se fosse destacar as coisas do mal a lista também seria grande: Hitler, Stalin, César, Alexandre, Napoleão, outros, que se inscrevem entre os que mataram, invadiram, dominaram, ao lado de muitos outros que caíram de cara na lama e passaram a conviver com a vergonha, sua, dos seus familiares e de (ex) admiradores, como destacarei.

No Brasil temos vários compatriotas dos quais podemos nos orgulhar em muitos setores, mesmo na política, uma área suscetível de partidarismo e sectarismo. Não farei nomes, por enquanto, para preservar o caráter neutro que pretendo dar a este texto.

Mas, não posso deixar passar a oportunidade para registrar o fato de um operário, quase analfabeto, gênio político, haver surgido das massas populares e chegado ao poder do País por duas vezes. Mesmo no escândalo do Mensalão, em seu governo, quando dizia “não sei, não vi, não me disseram”, escondia-se atrás de uma bem construída ingenuidade, não malícia, ancorada na humildade de sua pobreza de origem. Pesou a seu favor. E era mais uma arapuca.

Porém, agora, diante de números e fatos, não há mais como calar. Vou dar três ou quatro provas de arrepiar os cabelos: esse homem tem 60 milhões de reais num fundo de aposentadoria, pagou 50 milhões a um dos seus advogados e ele tem meia-dúzia de outros. E os bens que estão em seu nome, sem citar os que já se viu estão em nome de laranjas.

Vamos questionar todos os outros ex-presidentes, mesmo incluindo alguns que não passariam no crivo da moralidade e iremos descobrir qual ou quais deles possuem uma fortuna do tamanho destas que a mídia anuncia e que ninguém contesta e nem desmente, mesmo dentre aqueles que ainda o endeusam.

Quantas esperanças frustradas, quantos castelos poderiam ter sido desmontados sob a batuta desse homem? Quanta podridão poderíamos ter enterrado nesta politicalha que vem desde as capitanias hereditárias?



Esse homem teve tudo para figurar entre os mais ilustres brasileiros, teve todos os elementos possíveis para legar ao seu País aquilo que pregou antes do primeiro mandato e que o credenciou para chegar lá. Que imenso e glorioso destino de trevas! Temos analistas apontando a sua única reforma: a tomada dos três pinos.

Quantos líderes importantes são chorados abaixo e acima do Equador, homens e mulheres que deixaram a vida para entrar na história? E este, que ainda é chorado por poucos, está deixando a história para entrar no cárcere.

Teve tudo para colocar a sorte da Pátria em primeiro lugar. Outros também desmereceram a glória de boas lembranças? Sim. Mas, não como este que passou 20 anos dizendo aquilo que não faria e não fez. Enganou 83% dos brasileiros, se esta percentagem não tenha sido mais uma mentira sua a respeito da aprovação popular de seu governo num curto espaço de tempo. Aliou-se a políticos, empresários e executivos da pior espécie e agora irá fazer companhia para eles na cadeia, graças à Lava Jato, bem entendido, se o STF honrar o nome e a função que tem.

Se assim for, ainda iremos dizer, o Brasil de antes e de depois de Lula jamais podem ser comparados. Digo mais, o Brasil pós Lula, pós Dilma e pós Temer jamais será o mesmo.   

Todo o ódio semeado por Lula e seus comparsas contra pessoas, classes, estamentos da vida nacional veio produzir seus efeitos contra ele e o seu partido agora. Até Lula éramos seus companheiros ou adversários. Agora passamos à categoria de inimigos ou membros da gang.

Antes de Lula e seus partidários brancos e negros conviviam, hetero e homossexuais conviviam, patrões e empregados se relacionavam, bandidos eram bandidos e homens de bem eram homens de bem. Depois de Lula insistiu-se tanto em apontar as divergências que todos se tornaram inimigos de difícil reconciliação. Estamos divididos e o sintoma aparece nas ruas, nas falas das pessoas. Acabou o projeto de Nação.