sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Nossa realidade é um terror




É público? Então é meu!

O amigo de Emílio Odebrecht recebeu 23 milhões de reais, dinheiro retirado de contratos fraudulentos assinados entre o governo do PT e a empreiteira Odebrecht, dinheiro que hoje falta no posto de saúde para remédio, vacina, seringa e, por falta de assistência médica, acaba matando o mesmo brasileiro que votou nos candidatos do PT à espera de honradez, transparência, mudanças...

Nem todo petista é igual ao amigo de Emílio. Muitos a gente conhece. Mas, se o petista honrado, ético, comprometido com um Brasil melhor não for burro e nem mal-intencionado, tem a obrigação de rasgar sua ficha de inscrição ao partido. Qualquer pessoa direita filiada a um casamento, a um emprego, a uma associação ou religião em que há desvios que envergonham o ser humano, precisa provar sua retidão denunciando a safadeza ou se rasgando esta filiação. Se não...  

E tem mais: todos os ex-petistas direitos precisam estar do lado daqueles milhões de brasileiros que não desistiram do Brasil, mesmo aqueles que foram traídos pelo amigo do Emílio.

Sei, é muito difícil. Há uma índole maléfica no ar. Ladrões em penca estão roubando flores nas praças, arrancando fios de iluminação pública, roubando material de limpeza no condomínio, dando o golpe do bilhete premiado, detonando caixas eletrônicos, assaltando idosos e crianças, metendo a mão nos fundos de pensão...

Ainda existem quem vote em ladrão.

Ainda existe quem deseje dar mandatos a bandidos.

Mas, isso pode ser mudado.

Temos de querer mudar.

Pense nisso.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Uma reforma no socialismo


Temos uma mentalidade materialista

Passamos 100 anos ou mais divergindo e aprofundando um fosso entre capital e trabalho, colocando patrão e empregado em trincheiras diferentes e criando leis que oprimem o empreendedor e beneficiam o trabalhador. Onde se lê benefício é isso mesmo, benesse, dificuldades para que mão-de-obra e capital pudessem ser aliados.

Nesse século de abismo entre o que se chama de esquerda e direita, passamos doutrinando e sendo doutrinados que as duas mãos nada podem construir juntas porque são incompatíveis. Passamos pregando e ouvindo que somos manetas: ou temos apenas a mão esquerda ou temos apenas a mão direita. E as duas não podem se ajudar, não podem construir juntas.

O poder da direita passou a ser visto como acumulador e o poder da esquerda passou a ser visto como distribuidor. Um faz o monte, o outro espalha.

Nada mais errado, pois a mentalidade materialista que se tornou cultura humana em todo o mundo, faz com que todos desejem ser capitalistas, ter propriedade, não depender de terceiros. Nasce, assim, a guerra: quem não tem quer tomar de quem tem, não pela cooperação, mas na marra, na porrada, na extorsão, na invasão. A Justiça Trabalhista, principalmente no Brasil, é a maior prova disso.

Se o trabalhador quer ser capitalista tanto quanto seu patrão, a reforma da mentalidade nas relações desses fatores tem um nome: cooperação. E não divergência, não oposição, complementariedade sim. A mão direita empreende, pensa, planeja, põe dinheiro, arrisca. A mão esquerda administra, põe a mão da massa, produz, transforma. O resultado disso tem de servir para os dois quando lucra e tem de pertencer aos dois quando perde. Hoje, a perda é muito mais da mão esquerda, pois na crise perde o emprego. Quando está maravilhosamente bem não participa da maravilha.

E isso começa na Universidade que precisa formar empreendedores, antes de tudo. Começa nos partidos que precisam defender e praticar a interação entre capital e trabalho. Caso contrário continuaremos brigando e perdendo.

Isso tem de chegar aos sindicatos e às centrais tipo CUT.

Em todos os lugares onde a esquerda governou, a crise chegou quando o monte acabou de ser distribuído. A esquerda não empreende, estatiza, centraliza, burocratiza, superdimensiona o Estado, inclusive com cargos. Acabada a riqueza, o povo tira a esquerda do poder.

Isso tem sido histórico.
Não se iludam.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Todo mundo diz



Lula precisa conhecer a cadeia

Creio que posso falar autorizadamente, de cadeira, como se diz. Quando ainda nos anos 1970 esboçava-se um movimento libertador de consciências dos humildes, sonhado pelos seguidores de Vigotski, Piaget, Paulo Freire e defendido por uma esquerda perfeitamente sonhadora, surgem, através de alguns setores da Igreja Católica, as Comunidades Eclesiais de Base e as Pastorais (da Terra, da Saúde, da Família, etc).

Foi a coisa mais interessante que o mundo e especialmente o Brasil receberam. Nas reuniões construtivistas das CEBs e das Pastorais, as pessoas secularmente dominadas por dogmas de mídia, política, religião, economia e cultura, eram despertadas para o contra movimento: você não precisa votar no político que só engana; você não precisa ser inimigo do seu patrão apenas porque ele explora aqueles que não tem consciência da importância da mão de obra na economia; você não precisa pagar juros escorchantes sempre que precisa de financiamento; você não precisa ser “maria vai com as outras” da mídia manipuladora das massas; e assim e assim por diante.

Vieram as ideias que desembocaram nas cooperativas de crédito, nas cooperativas de assentados, no MST, inclusive na necessidade de partidos com bases fortes no povo, que foi o caso do PT.

Intelectuais, pedagogos, jornalistas, políticos, operários, donas-de-casa (mulheres que até então eram objeto em casa) começaram a sair da sombra e a se organizar das mais diferentes maneiras, numas ideias puras e sinceras capazes de fazer a virada e fazer a diferença. Até o Bolsa Escola, depois Bolsa Família era uma boa ideia, que o PT entortou na medida que não criou uma porta de saída da esmola e a aproveitou para corromper o voto.

Pois bem, daí para a frente surgiram os aproveitadores dissimulados, lobos em pele de cordeiro. Mas os ingênuos sonhadores não sabiam disso ainda. Cito os casos Hélio Bicudo e Cristóvão Buarque, como poderia citar outros cem ou mil nomes, que foram abandonando o PT, condenando o MST e suas ramificações. A Igreja já havia feito isso antes de 1980.

A ideia original não incluía treinamento de guerrilheiros nas FARC, em Cuba ou Rússia, não incluía os roubos de milhões de dólares na Petrobrás, nos fundos de pensão e outros e outros que ainda serão revelados pela Lava Jato.

É nisso que afirmo: o Lula, assim com Zé Dirceu e muitos outros, tem de conhecer a cadeia, não só pelo roubo do dinheiro, também pelo roubo do sonho. Hoje, milhares de homens e mulheres de bem tem vergonha de dizer que são ou foram do PT porque o PT roubou o sonho de liberdade dos brasileiros.

Não me venham os mentores do PT dizer que não sabiam de muita coisa que rolava nas entrelinhas do movimento. Não só sabiam como autorizavam, mandavam pagar a conta.

Essas manifestações embandeiradas de vermelho não são autênticas, não são espontâneas, as pessoas são pagas. As invasões de terras não objetivam assentar agricultores sem-terra e sim apropriar-se dos imóveis para vender e partir para nova invasão. Só o INCRA e a Polícia Federal ainda não chegaram nesse escândalo.

Os militantes não conhecem a democracia do construtivismo de Vigotski, Piaget e Paulo Freire. A petezada quer levar no grito, na pressão, na porrada, no quebra-quebra, no assalto.

Haverá outro partido ou outros partidos com ligações na base? Sim, mas aprendemos a fracionar. Eles serão dezenas e isso é ruim. Lula conseguiu catalisar os pequenos partidos e formar a frente de esquerda chamada PT. Por isso também tem de ser castigado, pois traiu.         

domingo, 4 de setembro de 2016

Um comunismo capitalista


O desafio aos partidos comunistas

O episódio Lula-Dilma-PT não pode ser olhado isoladamente e não apenas com os olhos no Brasil. Cuba, Argentina e o que virá na Venezuela e Bolívia precisam ser incluídos também com os olhos voltados para a Europa para a Ásia. O comunismo, como escrevi na postagem anterior tem de ser refeito. Nasceu para distribuir a riqueza que o capitalismo acumulou, mas não aprendeu a gerar riquezas. Quando a distribuição escasseia, vem a grita e o povo quer mais, o povo é capitalista, a nossa cultura universal é capitalista.

Então, agora, o PT e seus ideólogos começam a filosofar. O partido está morrendo, voltará àqueles 15% do eleitorado que é fissurado, os mesmos que saem às ruas para quebrar tudo, mas que na segunda-feira batem à porta das mesmas empresas para pedir emprego. Empregados, se declaram inimigos do empregador. Os sindicatos da CUT e os outros serão convidados a se reciclarem. Capital e Trabalho nunca foram inimigos. Juntos geram riqueza. E é nisso que o comunismo afundou. Se não tem riqueza gerada não tem riqueza para distribuir. O capitalismo não sabe distribuir, é verdade, mas vai ter que aprender, no mínimo, com o cooperativismo, que retribui a cada um por aquilo que criou, sem paternalismo, sem greve, sem contestação.   

O ideólogo Tarso Genro, ex-ministro da Justiça e ex-governador do depauperado estado do Rio Grande Sul, futuro miserável da Nação, já está planejando o partido que sucederá o PT e diz solenemente:

“Essa crise vem da falência de ideias do bolchevismo clássico (e do bolivariano romântico), com poucas exceções, da direitização da socialdemocracia no terreno da economia, que entende que a “globalização” é um processo técnico, que permite apenas um único caminho: da redução das funções públicas do Estado, combinada com políticas compensatórias, que não conseguem coesionar a sociedade em torno dos valores democráticos modernos. Esta crise vem, também, do fato de que o PT vem se tornando um partido mais pragmático do que ideológico, no sentido nobre desta expressão, deixando de se alimentar – em termos culturais e programáticos – fora do circuito do poder estatal, usando métodos tradicionais de governabilidade, para sobreviver aos processos eleitorais”.

É isso, Tarso, o PT dependurou seus adeptos nos cargos públicos à exaustão e tornou seus adeptos sofríveis trabalhadores da iniciativa privada, centrados no que o patrão podia e tinha obrigação de distribuir. Esqueceu produtividade, lealdade, compromisso. Decidiu buscar vantagens no grito, na paulada, na invasão, na depredação. Agora, vai lá dizer para estudantes, trabalhadores, militantes, que o capital é o objetivo de todos. E se o capital está com quem soube acumular, cabe a quem o queira também aprender a produzir com eficácia, poupar com parcimônia. E se o trabalhador não tem o capital, vamos ser parceiro do empreendedor, negociar produtividade, acabar com as greves, parar de bater em quem não é nosso inimigo e sim nosso parceiro.  

A esquerda na Venezuela afundou assim que o petróleo baixou de valor. Era uma economia baseada na extração, como é a dos árabes. O dia em que o petróleo sair de cena, todos os países árabes de esquerda e de direita se tornarão miseráveis. Já são. Os refugiados que oferecem ao mundo é a prova.

Palavras de Genro: “O PT surgiu num momento em que a classe operária industrial era fundamental para pensar uma utopia socialista e democrática e a USP era um referencial mundial para a esquerda. Os trabalhadores não são mais os mesmos, as empresas são muito diferentes, a globalização avançou e ocupou terrenos definitivos nas economias nacionais e qualquer ideia, socialista ou social – democrática de corte republicano, com liberdades públicas amplas, não pode ser pensada em torno dos contraditórios de uma sociedade de classes que já é inteiramente outra. Qual é esse projeto exige, por exemplo, dizer qual é o projeto para sair, no imediato, de uma crise econômica e financeira como essa que está aí, por dentro da democracia, criando novos consensos democráticos, o que a direita - por exemplo - não fez.

O mesmo Tarso reconhece que a saída de Dilma é o principal impulso criativo para promover uma nova Frente Política – que pode ser designada como de esquerda, porque está à esquerda da atual frente com o PMDB – mas que, na verdade, deve ser organizada em torno de um programa socialdemocrata renovado, como aquele que moveu Tsipras, na Grécia e move o Podemos, Esquerda Unida e parte do PS Espanhol, atualmente. Alguns companheiros me dizem que isso é muito pouco…Eu respondo a eles que isso é quase uma utopia, face a situação de hoje!”

O sociólogo da USP, José de Souza Martins, apesar de entender que “o ciclo político do PT não acabou”, confessa que o partido está em crise e vivendo um severo momento de desgaste e, quase certamente, de declínio eleitoral. Para Souza Martins não há dúvida que o comportamento do PT em relação à Dilma é de abandono, um modo de transformá-la, implicitamente, em bode expiatório da crise que não começa com ela e sim com o caso do mensalão. Não é crise dela e sim do partido.

Apesar de conhecer muito de política, o sociólogo defende que o PT é, ainda, o único partido que poderá ter um candidato certo e com chance de ser eleito em 2018, que é Lula. Se não estiver preso, claro. Ele acha que o PT tem um eleitorado cativo e duradouro, constituído por aqueles que optam pelo partido porque optaram por Lula e optaram por Lula porque nele enxergam a personificação de uma esperança profética e messiânica e que nenhum ouro partido político brasileiro tem essa característica, tão brasileira, e ainda decisiva nos enfrentamentos eleitorais. Seria um grande erro desconhecer ou mesmo desdenhar essa caraterística do processo político brasileiro.

Mas, como se vê, se o último maior líder petista solto acabar na cadeia, leva com ele o PT e quase toda a esquerda brasileira que estava com Lula e com o PT, decepcionados com a falta de pureza e virtude honrosa naquele operário da voz rouca.

Tudo isso porque não se pode esquecer que o PT é peça de uma trama articulada por ele, Lula, e que envolve vários partidos políticos e um grande número de pessoas com ele envolvidas. De certo modo, o declínio do partido arrasta consigo outros partidos e políticos não petistas, a começar no PMDB e com ele, o próprio vice-presidente da República. O impedimento de Dilma não encerra um ciclo, apenas o fragiliza. Nem fortalece o PMDB, que agora terá que propor uma nova aliança política de governo. Com algumas exceções significativas, uma parte dos ministros já recrutados mostra que o elenco dos nomes disponíveis para recompor o governo ou fundar um novo governo é pequeno e incapaz de injetar confiança em relação ao mandato do sucessor.

A fala do sociólogo revela um dado estarrecedor sobre o PT.

Para Souza Martins, a crise do governo e a crise do PT não constituem crises das esquerdas. O PT não é, propriamente, um partido de esquerda, a não ser na retórica publicitária. Os 13 anos de governos petistas deixaram isso claro. O partido manipulou os grupos populares, mas fez alianças significativas com grupos de direita, como é o caso do agronegócio. As verdadeiras esquerdas estão muito longe de alianças desse tipo. Por outro lado, as esquerdas brasileiras estão muito divididas e muito fragilizadas. De classe média, estão longe dos grupos referenciais de base da tradição de esquerda, como a classe operária e os trabalhadores rurais. Hoje estão predominantemente circunscritas a grupos constituintes do setor médio, como é o caso dos estudantes. Tendo, mesmo, que se valer dos menores de idade da escola média, como os que ocuparam as escolas nos últimos meses, para ter visibilidade política.

Mais perto, então, estaríamos do fim da esquerda. Ela nem existiu.

É pouco provável que as esquerdas encontrem o rumo no corpo da crise atual, é parte do raciocínio de Martins. Elas, as esquerdas, tem se revelado incapazes de interpretar dialeticamente o processo político e seu próprio lugar na História, conforme ele.

Também na linha racional de que muito dificilmente esse PT sobreviva, temos a opinião de Daniel Aarão Reis, historiador da Universidade Federal Fluminense:

“Recorro a uma expressão francesa: cure d’opposition. Quando um partido perde o ímpeto renovador, e se esclerosa no governo, começa o desgaste, que, em parte, é inevitável no exercício de qualquer nível de poder. Nestas condições, de desgaste crescente, é melhor fazer uma “cura” na oposição e refazer forças para tentar, mais tarde, retornar.

Vamos concretizar: depois de uma primeira administração infecunda, e de ter cometido um grande estelionato eleitoral, omitindo os dados da crise e prometendo o que não ia cumprir, Dilma foi procurar o dono do Bradesco para ser seu ministro da Fazenda. Acabou ficando com o Joaquim Levy, indicado por ele, e aí a enrascada aumentou ainda mais. Perdeu confiança de suas bases e não ganhou apoio das elites. Isolou-se. Não teria sido melhor para ela e para o seu partido terem ido para a oposição? Onde poderiam dar combate às “fórmulas” tradicionais e nada milagrosas de superar as crises à custa dos trabalhadores? Dado o impeachment, o PT e as forças de esquerda terão um horizonte de lutas para se reinventarem. Para um Partido popular, não será melhor do que cumprir o programa dos banqueiros, do capital financeiro, do agronegócio e dos empreiteiros para “solucionar” a crise?

Não haverá outro caminho. E o PT tem reservas para isto, apesar do desgaste. O partido é nacionalmente muito ramificado e, acima de tudo, representa interesses específicos que não serão defendidos por outros governos. Por outro lado, o Partido e suas lideranças associam-se na memória das gentes a melhorias substanciais do ponto de vista econômico, mas também de outros ângulos – político, cultural. A cultura política prevalecente em muitas camadas populares e até em níveis mais altos da sociedade é a cultura política nacional-estatista, marcada pelo corporativismo. Ela tem uma longa história, desde sua fundação, no quadro da ditadura do Estado Novo, liderada por Vargas. Metamorfoseando-se, enraizou-se de modo profundo neste país. E o PT e suas lideranças exprimem melhor do que qualquer outro, pelo menos por enquanto, esta cultura política. Não custa repetir – o PT está muito enfraquecido, mas seu cortejo fúnebre ainda não saiu. Agora, se ele continuar repetindo os erros cometidos, e não se reinventar, é possível que, num prazo dado, outros aventureiros apareçam para pôr a mão na sua coroa”.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Uma reforma no socialismo




Temos uma mentalidade materialista

Passamos 100 anos ou mais divergindo e aprofundando um fosso entre capital e trabalho, colocando patrão e empregado em trincheiras diferentes e criando leis que oprimem o empreendedor e beneficiam o trabalhador. Onde se lê benefício é isso mesmo, benesse, dificuldades para que mão-de-obra e capital pudessem ser aliados.

Nesse século de abismo entre o que se chama esquerda e direita passamos doutrinando que as duas mãos nada podem construir juntas porque são incompatíveis. Passamos pregando que somos manetas: ou temos apenas a mão esquerda ou temos apenas a mão direita. E as duas não podem se ajudar, não podem construir juntas.

O poder da direita passou a ser visto como acumulador e o poder da esquerda passou a ser distribuidor. Um faz o monte, o outro distribui.

Nada mais errado, pois a mentalidade materialista que se tornou cultura humana, faz com que todos desejem ser capitalistas. Nasce, assim, a guerra: quem não tem quer tomar de quem tem, não pela cooperação, mas na marra. A Justiça Trabalhista, principalmente no Brasil, é a maior prova disso.

Se o trabalhador quer ser capitalista tanto quanto seu patrão, a reforma da mentalidade nas relações desses fatores tem um nome: cooperação. E não divergência, não oposição, complementariedade sim. A mão direita empreende, pensa, planeja, põe dinheiro, arrisca. A mão esquerda administra, põe a mão da massa, produz, transforma. O resultado disso tem de servir para os dois quando lucra e tem de pertencer aos dois quando perde. Hoje, a perda é muito mais da mão esquerda, pois na crise perde o emprego. Quando está maravilhosamente bem não participa da maravilha.
E isso começa na Universidade que precisa formar empreendedores, antes de tudo. Começa nos partidos que precisam defender e praticar a interação entre capital e trabalho. Caso contrário continuaremos brigando e perdendo.