domingo, 30 de outubro de 2016

Uma leitura para Gean Loureiro




A indefinível Florianópolis

Faz tempo que a capital dos catarinenses surpreende com seus resultados eleitorais. Em 2004, numa inusitada situação em que Dario Berger saía de 8 anos de mandato na vizinha São José, venceu surpreendentemente e se reelegeu surpreendentemente mesmo tendo contra si ações de que não poderia concorrer três e quatro vezes continuamente ao mandato de prefeito. Mas, não elegeu seu sucessor.

Em 2016, Gean Loureiro, candidato de Berger em 2012 derrotado, consegue uma eleição apertada com apenas 1.153 votos de vantagem, mas tendo que enfrentar outros 93.527 votos que não foram para ele porque são brancos, nulos e abstenções, o que eleva para quase 55% dos florianopolitanos que não o querem como prefeito ou não votaram em si.

Esse o recado para um candidato eleito que pega uma prefeitura com 95 milhões de déficit e que para vencer prometeu fazer tudo o que está faltando.

Ao final do seu primeiro ano certamente a chiadeira ai ser enorme, ainda mais que levou consigo numa coligação 15 partidos e certamente terá de fazer compensações que inflacionam ainda mais a despesa.

Prepare-se, Gean Marques Loureiro, em seu caminho tem muita pedra. E algumas rochas de difícil ultrapassagem.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Agora os iates




Esse é o Brasil?



Olha bem, faz tempo que a gente ouve por aí, nas esquinas, bares, cafés e restaurantes, que brasileiro não sabe votar e que por isso essa corja de ladrões chegou ao poder e fez o que fez.

Naturalmente, a culpa é jogada em cima do povinho iletrado, semi- analfabeto, que vende o voto por uma carga de brita ou pela ligação irregular da luz ou da água em seu barraco, também irregular, na favela.

Mas, veja bem, brasileiro contribuinte, consumidor, eleitor: na Prainha, em Florianópolis, SC, há uma marina onde estacionam e são conservados os barcos de uma multidão de milionários.

Não me interpretem mal. Não pertenço àquele time que mete bronca nos ricos esperando chegar lá. Não faço como o Lula e o Collor, que ganharam notoriedade condenando marajás e corruptos e foram exemplos daquilo que condenavam.

A notícia da semana em Santa Catarina é o sumiço dos iates da marina da Prainha. Motivo: a Lava Jato está vindo conferir a origem do dinheiro que comprou iates de 15 milhões ou mais.

Olha bem: se o cidadão tem um iate de alto valor e não pode provar a origem do dinheiro que pagou o preço do iate, começamos por descobrir que o favelado que troca o voto por uma carga de brita ou pela ligação da água que vai ser bebida pelos seus filhos ou pela luz que vai iluminar o seu barraco, esse cara é nada no contexto da imensa podridão que grassa em nossa sociedade e manda para os cargos mais importantes da República (legislativo, executivo e judiciário) pessoas sem estatura moral para tanto.

A imensa maioria dos que pagam a conta não é podre.

Não é podre, mas não acorda.

É com esse despertar que o Brasil conta para sair do buraco onde os cafajestes nos jogaram.

Reage Brasil.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Prepare-se, brasileiro...




Cada dia uma nova bomba



Ou mais de uma bomba por dia.

Pode? Pode.

O Brasil podre foi revirado, a podridão fedeu e alguém lembrou que poderíamos usar uma bomba d’água para jatear a sujeira, limpar a área.

Mas, havia muito o que empurrar com a bomba lava a jato.

Nestes últimos dias dá gosto acompanhar as notícias: todo dia tem uma bomba. Em alguns dias tem duas e até três.

Fique atento.

Mas, cuidado.

A quem interessa evitar a limpeza, a qualquer escorregão da equipe de limpeza vem a chiadeira. Queres um exemplo? A Justiça Federal de 1º grau autorizou uma varredura nos arquivos da Polícia Legislativa do Senado, atendendo a fortes indícios de (1) ABUSO DE AUTORIDADE e (2) DESVIO DE FINALIDADE, ao prestar serviço para não senadores, fora de Brasília com despesas pagas pelo dinheiro do povo e com evidente intenção de obstruir provas para acobertar ilegalidades que poderiam ser descobertas pelas investigações da Operação Lava Jato. Com essa ação podem ter sido destruídas ou desviadas muitas provas.

Imediatamente a chiadeira: um juizeco de primeira instância não pode lidar assim com o Senado Federal. Ah é, Renan, foi contra o Senado? Pois então processa o Senado por ABUSO DE AUTORIDADE e DESVIO DE FINALIDADE.

O Supremo precisa dizer a este senhor todo poderoso da republiqueta da corrupção que quem quer que abuse de autoridade precisa ser processado, inclusive aqueles que no uso do poder constituído obtém vantagens ilícitas e depois buscam novas manobras ilícitas para esconder as provas desses crimes. Ah como eu queria ser ministro do Supremo nesta hora.

É assim que funciona: a Polícia Federal recebeu a denúncia de que a Polícia Legislativa do Senado estava fazendo coisa feia no acobertamento de crimes de membros do Senado (e Renan sabia disso tanto que autorizou e disse que autorizou, assinou a confissão) e encaminhou à Justiça Federal de 1º grau (ela só pode dirigir-se ao primeiro grau. E o primeiro grau, no uso de suas atribuições legais autorizou a busca na sede da Polícia Legislativa (que não tem foro privilegiado, mas que o Renan acha que tem, porque foi ele, senador, que autorizou a coisa feia).

Bomba. Bomba. Sarney, Collor, Lobão, Gleisi, os poderosos criadores de sujeiras não querem que a bomba a jato lave a podridão.

Claro, leitores, os autores da podridão serão descobertos. Aí, sim, a Procuradoria Geral do Ministério Público Federal se reportará ao Supremo fazendo a denúncia e pedindo para abrir inquérito contra Collor, Lobão e Gleisi. Sarney não é mais parlamentar.
Bomba. Bomba. O caso da Polícia Legislativa é só o gancho. Tem muito mais sujeira escondida naquilo que eles querem esconder. Quem viver, verá.   

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Cadeia pra eles


Acaba a chicana do adiamento

A safanagem funcionava assim: investigado, denunciado, julgado em primeira instância, recorre, interpõe recurso, perde, recorre para a segunda instância, ganha tempo, a justiça é lenta, perde, recorre para o Superior e/ou Supremo Tribunal. Tudo isso, por baixo, dez anos com o réu solto dando risada na cara da sociedade. Quando vem o julgamento final, muitas penas já prescreveram e o réu fica ainda mais livre.

Agora, o réu julgado culpado em segunda instância tem de ser recolhido à penitenciária mesmo que seus advogados estejam recorrendo para o Tribunal de terceira instância e mesmo que o julgamento demore uma eternidade. Cadeia pra eles. Isso é jurisprudência, súmula vinculante, quer dizer, toda a justiça tem de agir respeitando esta decisão.

Mesmo com o Supremo dividido entre seus ministros, o empate em 5 a 5 foi desempatado pela presidente do STF, ministra Carmen Lúcia.

Então, a prisão de condenados em segunda instância acaba com a chicana de advogados regiamente pagos por corruptos e assassinos poderosos.

E nos coloca num patamar superior de civilização. Nos países líderes da democracia universal, bandidos não levam vantagem, vão presos. Muitos se suicidam.

O STF acaba de decidir, por 6 votos a 5, que condenados em segunda instância podem, sim, ir para a cadeia, sem a necessidade de aguardar o esgotamento dos recursos.

Está mantido, assim, o entendimento da Suprema Corte de fevereiro deste ano, quando o placar foi de 7 a 4 -- hoje, Dias Toffoli migrou para o lado derrotado.

Cármen Lúcia deu o voto de minerva.

Vitória, apertada, da Lava Jato. Derrota de Lula. Derrota da ORCRIM.


segunda-feira, 3 de outubro de 2016

O fim de uma prática


A morte do PT precisa ser exemplo

Passado o primeiro turno das eleições municipais já se sabe quem cresceu e quem encolheu em termos de poder de voto. Nenhum partido perdeu tanto quanto o PT. Não era para menos. O partido se envolveu criminosamente com a corrupção e o povo não é bobo.

Ainda que possa existir uma minoria ativista que deliberadamente defende os líderes petistas e o fazem de uma maneira preocupante, os eleitores foram generosos com algumas candidaturas, como a de Eduardo Suplicy entre outras, mas no geral está inaugurada a morte da prática refinada pelo PT. Não é único. Outros grupos também fizeram jogo sujo. Mas a morte do PT deve servir de exemplo para todos os demais,

O eleitorado brasileiro disse o que quer. A diminuição de prefeitos do PT no Nordeste foi a menor, em termos porcentuais, entre as demais regiões. A maior perda entre as eleições de 2012 e 2016 foi no Centro-Oeste (-85,4%), seguido por Sudeste (-74,8%), Norte (-69,7%) e Sul (-56,6%). No País, a perda total foi de 59,5% (de 630 para 256 prefeitos). Esse cenário deve permanecer após o segundo turno, pois a sigla só disputa em sete cidades.
Não se iludam, a política brasileira não tem lugar mais lugar para Sarney, Barbalho, Calheiros, Lula, Dirceu. Não subestimem o povo. Foi dada a largada.