quarta-feira, 28 de março de 2018

Nossa democracia por um fio


Fugiu do controle, esse é o espanto

Se nós fizermos um retrospecto do que aconteceu no País nos últimos 20 anos, no mínimo, iremos encontrar escolas de formação de lideranças trazendo mestres de Cuba para ensinar como se age.

Ora, Fidel havia feito isso, com sucesso naquela Ilha: o judiciário inteiramente aparelhado para julgar segundo os interesses de “la revolución”; parlamento lá não há, são os líderes comunitários que aprovam o que o governo deve fazer; aqui o parlamento teria de ser comprado; e, claro, o executivo lá tem um comandante supremo, quase um deus, exigindo que as pessoas se descubram e se curvem por onde ele passa ou diante das ordens que emana; aqui o deus barbudo estava em construção.

O PT liderou o grupo de partidos comunistas exatamente porque se organizou melhor desde as Comunidades Eclesiais de Base e desde as Pastorais que a Igreja Católica colocou à sua disposição no início de tudo. Daí nasceram o MST, o MTST, o Movimento dos Atingidos por Barragens, a CUT e, evidentemente, num determinado momento alguém disse: “não basta a organização interna e nem o comando central, nós precisamos chegar ao poder e se não for pela força (como foi em Cuba), nós precisamos ir às urnas, precisamos de um partido político”. Nasceu o PT. Por ser mais organizado, com mais capilaridade e mais recursos, inclusive vindos de Cuba, tomou a frente de uma meia-dúzia de outros partidos que passaram a ser membros de uma frente.

Quando chegou ao Planalto, em 1º de janeiro de 2003, Lula sabia que dificilmente deixaria o poder. O projeto teria que durar o quanto pudesse, que nem em Cuba. Por isso, o aparelhamento do Estado: todos os setores são ou estavam controlados pelo PT, a partir dos sindicatos, das repartições, motoristas, ascensoristas, copistas, chefes de setores, assessores, diretores, presidentes de estatais, todos treinados para fazer o que era preciso e boicotar o que não interessava. Em dia de comício, ai daquele que não fosse à rua, perderia a função, bem ao estilo Fidel, desde o assentamento sem-terra lá do fundão, até as assessorias do presidente da República em Brasília, tudo sob o controle, aparelhado.

Espera, há um destaque: os militares das três forças precisavam ficar sob o comando de um comunista e foi isso mesmo que aconteceu a partir de Celso Amorim, quando o pudor arrefeceu e os generais, brigadeiros e almirantes das novas safras já estavam mais simpáticos à causa lulista.

Foi por isso, leitores, que o impeachment de Dilma doeu tanto e foi chamado de golpe. Sim, foi um duro golpe nos projetos do PT. Da verba total desviada das estatais, como é mostrado no caso Petrobrás (6,5 bi e ainda faltam Caixa, BB, Eletrobrás, BNDES, Correio e outras de menor volto), mais que um terço do total foi para o caixa eleitoral. O PT tem dinheiro para eleger três presidentes. E por isso a sentença de Moro e do TRF4 dói tanto. O principal nome para as urnas irá para a cadeia. O segundo nome está a caminho da cadeia e o terceiro não tem densidade para vencer.

O plano equivalente ao de Fidel caiu por terra quando Dilma foi cassada e quando Moro assinou a sentença de Lula.

A esperança é que o STF livre a cara do ditador brasileiro, mas agora setores da sociedade organizada, o povo e principalmente os militares que não estiveram no poder nesses 20 anos, representam um obstáculo à ditadura lulista e uma garantia à democracia brasileira.

Toda arranhada pelo aparelhamento das instituições (a maior prova está no STF, onde oito dos onze ministros foram nomeados pelo PT), a democracia caminha assustada: se livrarem Lula no STF ele pode voltar ao poder e daí ninguém mais o tira de lá. Se Lula for preso, as quadrilhas vermelhas poderão sair em bando pelas ruas em depredação e a guerra civil pode explodir ainda maior que a que já existe, por exemplo, no Rio de Janeiro.

Este é um dos momentos mais graves da Pátria a chamar pelo bom-senso daqueles que não têm interesse em cargos públicos nem pela corrente do PT ou de qualquer outro partido: chamo a atenção dos brasileiros que geram riquezas investindo ou trabalhando, pois daí que vive nossa Pátria.

domingo, 25 de março de 2018

Para lembrar do outro Brasil


Assim também se entra pra história



A poucos homens e a poucas mulheres, na história da humanidade, tem sido dado poderes, recursos e capacidades para inscreverem seus nomes entre os mais destacados exemplares da espécie. A alguns e algumas, esses poderes, recursos e capacidades são dados nas artes, nos esportes, nas ciências, na economia ou na política, além de tantas outras áreas e, muitas vezes, reunindo mais de que uma só área. Assim foi com certos personagens que jamais esqueceremos ou que jamais serão esquecidos por grandes segmentos humanos, como é o caso de Maomé, Newton, Jesus, Sidarta, Confúcio, Maria de Nazaré, Madalena, Cleópatra, Colombo, Einstein, Galileu, Aristóteles, Churchil, Florence Nichtingale, Joana D’Arc, Shakespeare, Descartes, Freud, Bach, Kennedy, Bacon e dezenas de outros.

Muitos desses senhores (e é estranho, muito poucas mulheres), deixaram elogiáveis obras, coisas para o bem. Se fosse destacar as coisas do mal a lista também seria grande: Hitler, Stalin, César, Alexandre, Napoleão, outros, que se inscrevem entre os que mataram, invadiram, dominaram, ao lado de muitos outros que caíram de cara na lama e passaram a conviver com a vergonha, sua, dos seus familiares e de (ex) admiradores, como destacarei.

No Brasil temos vários compatriotas dos quais podemos nos orgulhar em muitos setores, mesmo na política, uma área suscetível de partidarismo e sectarismo. Não farei nomes, por enquanto, para preservar o caráter neutro que pretendo dar a este texto.

Mas, não posso deixar passar a oportunidade para registrar o fato de um operário, quase analfabeto, gênio político, haver surgido das massas populares e chegado ao poder do País por duas vezes. Mesmo no escândalo do Mensalão, em seu governo, quando dizia “não sei, não vi, não me disseram”, escondia-se atrás de uma bem construída ingenuidade, não malícia, ancorada na humildade de sua pobreza de origem. Pesou a seu favor. E era mais uma arapuca.

Porém, agora, diante de números e fatos, não há mais como calar. Vou dar três ou quatro provas de arrepiar os cabelos: esse homem tem 60 milhões de reais num fundo de aposentadoria, pagou 50 milhões a um dos seus advogados e ele tem meia-dúzia de outros. E os bens que estão em seu nome, sem citar os que já se viu estão em nome de laranjas.

Vamos questionar todos os outros ex-presidentes, mesmo incluindo alguns que não passariam no crivo da moralidade e iremos descobrir qual ou quais deles possuem uma fortuna do tamanho destas que a mídia anuncia e que ninguém contesta e nem desmente, mesmo dentre aqueles que ainda o endeusam.

Quantas esperanças frustradas, quantos castelos poderiam ter sido desmontados sob a batuta desse homem? Quanta podridão poderíamos ter enterrado nesta politicalha que vem desde as capitanias hereditárias?



Esse homem teve tudo para figurar entre os mais ilustres brasileiros, teve todos os elementos possíveis para legar ao seu País aquilo que pregou antes do primeiro mandato e que o credenciou para chegar lá. Que imenso e glorioso destino de trevas! Temos analistas apontando a sua única reforma: a tomada dos três pinos.

Quantos líderes importantes são chorados abaixo e acima do Equador, homens e mulheres que deixaram a vida para entrar na história? E este, que ainda é chorado por poucos, está deixando a história para entrar no cárcere.

Teve tudo para colocar a sorte da Pátria em primeiro lugar. Outros também desmereceram a glória de boas lembranças? Sim. Mas, não como este que passou 20 anos dizendo aquilo que não faria e não fez. Enganou 83% dos brasileiros, se esta percentagem não tenha sido mais uma mentira sua a respeito da aprovação popular de seu governo num curto espaço de tempo. Aliou-se a políticos, empresários e executivos da pior espécie e agora irá fazer companhia para eles na cadeia, graças à Lava Jato, bem entendido, se o STF honrar o nome e a função que tem.

Se assim for, ainda iremos dizer, o Brasil de antes e de depois de Lula jamais podem ser comparados. Digo mais, o Brasil pós Lula, pós Dilma e pós Temer jamais será o mesmo.   

Todo o ódio semeado por Lula e seus comparsas contra pessoas, classes, estamentos da vida nacional veio produzir seus efeitos contra ele e o seu partido agora. Até Lula éramos seus companheiros ou adversários. Agora passamos à categoria de inimigos ou membros da gang.

Antes de Lula e seus partidários brancos e negros conviviam, hetero e homossexuais conviviam, patrões e empregados se relacionavam, bandidos eram bandidos e homens de bem eram homens de bem. Depois de Lula insistiu-se tanto em apontar as divergências que todos se tornaram inimigos de difícil reconciliação. Estamos divididos e o sintoma aparece nas ruas, nas falas das pessoas. Acabou o projeto de Nação.