sexta-feira, 6 de julho de 2018

Segunda-feira só feriado em SP


Bem, acabou a copa, é segunda-feira, vamos trabalhar

Engraçado, não? O brasileiro padrão se encanta com futebol nos clubes e mais ainda quando a disputa significa o primeiro lugar no Brasil, na América, no mundo. Faz isso também com o carnaval. Larga tudo, tira férias, gazeia serviço, gazeia aula, compromete o orçamento familiar, mas não fica de fora de uma festa assim como estas duas e muitas outras.

O sábado, 7de junho de 2018, terá ares de quarta-feira de cinzas. Toda a carne e toda cerveja e os foguetes estocados ficarão para outra oportunidade.

Temer, o Congresso e o STF que se cuidem. Brasileiro de ressaca é um perigo. A Dilma desceu a rampa logo depois dos 7x 1.

Mas, não. O Temer tem a seu favor o recesso forçado da campanha eleitoral e o fato de faltarem poucos meses para deixar a faixa presidencial e ser processado pela Justiça de primeiro grau.

O que precisa ser perguntado é o que que os brasileiros vão fazer em outubro.

Nós temos uma multicentenária cultura de paternalismo governamental inaugurado aqui desde antes da chegada da Coroa Portuguesa, em que se doavam terras através de capitanias hereditárias, continuada depois da Coroa com as concessões de títulos de nobreza, em que os barões, condes e viscondes respondiam por retribuir ao poder central e mais uma vez faziam a parte no paternalismo, que deu origem aos partidos populistas. A Casa Grande acenava com algumas benevolências e a Senzala exultava de felicidade e caía na euforia do samba ou coisa parecida, como ainda vai acontecer.

A Constituição de 1988 trás quatro deveres e 127 direitos aos cidadãos. Então a galera deita e rola atrás dos benefícios sem se importar com o circo em chamas. Não é culpa da galera, as elites ensinaram isso pela prática. É raro você encontrar um político que não tenha misturado o dinheiro público com o seu, desde o presidente até o ascensorista do elevador da repartição menos importante.

Então, o presidente de 2019 tem de ser um salvador, como já foram Getúlio Vargas, Jânio Quadros, os militares de 1964, o Collor, o Lula. Esta cultura é a única que toma ferro a cada novo salvador que encontra e volta a cair no mesmo buraco, achando que a queda se deve à educação que recebeu.

Estamos a algumas semanas da eleição presidencial e já tem salvador no pedaço.

Vai ser muito difícil e muito demorado nós, brasileiros elegermos um Projeto de Nação, com linhas claras de gestão da coisa pública. Continuaremos a procura de um salvador. E este, por não ter compromisso algum com nenhum projeto que não seja o populismo que se vale do futebol e do carnaval, entre outras cachaças, fará o que bem entender. Poderá dar certo em parte, mas ele, por falta de respaldo da sociedade, terá de comprar os votos do parlamento e do supremo para fazer o que ele quiser enquanto estiver no poder. E haja mais corrupção. Ou então haja impeachment, renúncia, golpe de estado.

E o eleitor, embriagado pelas cachaças que consumimos em nome de uma cultura mal acostumada, irá repetindo ressacas e chorando misérias. Não sei até quando.

Mas, dia 9 de julho de 2018, apesar de feriado em São Paulo, é segunda-feira para todo o Brasil. Vamos trabalhar, cambada. A copa acabou pra nós.