segunda-feira, 10 de setembro de 2018


A tristeza de um antigo eleitor

Meu primeiro voto elegeu Juscelino Kubitschek.

E concluo que nos últimos 90 anos de sua história, o meu país registra que apenas três presidentes eleitos concluíram os mandatos para os quais foram eleitos e reeleitos.

Washington Luiz foi derrubado; Getúlio Vargas se suicidou; Jânio renunciou e seu vice (Jango) foi derrubado; Collor foi cassado; Dilma foi cassada. Então já dá para deduzir que JK, FHC e Lula foram os únicos três a concluir seus tempos de mandato. Os demais presidentes não receberam votos populares.

É muito pouco para dizer que temos democracia. É um democratismo meia boca, uma democracia fajuta.

O antro deve estar no Congresso onde os eleitos fazem qualquer negócio em troca de compromisso com os temas colocados para deliberar. O compromisso não é com a Nação, é com as vantagens dos congressistas.

Por conta dessa deturpação, a Suprema Corte é composta por magistrados marcadamente comprometidos com quem os indicou e os aprovou. Todo o caminho da justiça, desde a Comarca de primeiro grau, é palmilhado por integrantes concursados que fizeram jus à conquista, que sabemos, também não é perfeita, mas é a que temos. E quando chega ao Supremo, último degrau da Justiça, tem ministro que vota não pelo que é justo e direito, mas segundo sua capacidade de argumentar pra lá ou pra cá, segundo suas ligações com aqueles que o conduziram ao cargo.

Desde Pedro II temos corrupção escancarada no poder e todos nós tínhamos conhecimento disso, não pelos livros da História, mas pela capacidade de interpretá-los, menos a imprensa, menos os servidores do poder corrupto e menos todo o sistema judicial capitaneado pelo eleitoral.

A mais absurda última decisão foi manter a chapa Dilma-Temer quando todas as provas indicavam que houve crime eleitoral. Mas os ministros do TSE preferiram assassinar a Lei e manter a farsa.

Pois, bem, a Lava Jato parece estar cumprindo um papel histórico que é da justiça, consegue trazer consigo uma boa parte da imprensa e agora os servidores, mas, principalmente, boa parte do povo brasileiro que já decidiu dar um basta na ladroeira.

Estou convicto de que barrar apenas a ladroeira, é pouco.

E o que é pior: chegamos a isso e sucateamos o País. Os serviços públicos apodreceram. Sobram a Receita Federal e parte da Polícia Federal. E os impostos consomem 34% do Produto Interno Bruto.

Vejo, entristecido, as guerras no Facebook e nas redes sociais muitas vezes colocando em choque pessoas que na realidade são amigas de longa data, um defendendo A e acusando B, outra defendendo B e acusando A, enquanto nada, nada mesmo, é falado ou providenciado para corrigir os verdadeiros e cruciais males de nosso país. Dá impressão que A quer vencer para se apoderar dos privilégios de B e vice versa.

Não deveríamos estar caminhando para eleições gerais e sim para uma Constituinte que fosse capaz de varrer o lixo jurídico. Este país de advogados construiu um emaranhado capaz de enrolar qualquer coisa como justa. Os privilégios assustam, amortalham o futuro da legalidade. A imprensa não é livre, está amarrada na origem. Mente e inventa.

Gente, vamos acordar. Precisamos discutir na Internet, a própria Internet, o sistema eleitoral, os partidos, os impostos, a remuneração de quem tem cargo público, a transparência, a educação, a segurança, a previdência, o foro privilegiado, a melhoria da ficha limpa, a tributação das igrejas e suas rádios e tevês, tanta coisa que virou privilégio de uns e cativeiro de outros. E não nos enganemos, se não for debaixo para cima, jamais virá. Se depender de vereadores, prefeitos, deputados estaduais, governadores, deputados federais, senadores, presidentes, tudo ficará como está ou piorará.

E então você poderia pensar: para quem eu daria eu meu voto?

Lógico que seria para aqueles que assumissem o compromisso de limpar a pauta do parágrafo anterior. Não acredito que haja. Irei entristecido para a urna e, neste instante, lhe garanto, não sei em quem eu votaria. Branco e nulo, não, com certeza.