União
Europeia paga um alto preço
A
mídia ocidental fala pouco, a repercussão é tímida, a verdade é escamoteada.
Esta
é a sensação das pessoas que têm uma leitura mais refinada sobre as questões
que levam o Reino Unido Inglês, dividido, propor outra divisão ao sair do bloco
econômico liderado pela moeda Euro, chamada União Europeia.
O
primeiro ponto da questão foi a não adesão britânica ao Euro moeda, mantendo a Libra
Esterlina em circulação.
O
segundo ponto da questão foi a cultura inglesa, uma das mais dominadoras,
diga-se egoísta, da história ocidental.
Juntos,
Grã Bretanha, França, Portugal, Espanha e Holanda dominaram mais de 60% dos
territórios onde hoje se encontram os cerca de 100 países pobres que falam as línguas
inglesa, francesa, portuguesa, espanhola e holandesa, e de sobre cujos
territórios retiravam e ainda retiram importantes riquezas responsáveis por
muito de suas histórias de riqueza, luxo, ostentação e soberba.
Os
dois primeiros choques nestas já carcomidas estruturas de dominação vieram com
as duas grandes guerras travadas num curto espaço de 30 anos por conta do
egoísmo dos seus protagonistas, onde o contraveneno foi também o egoísmo alemão
sob a batuta do seu líder, Adolf Hitler.
Assustadas,
as principais nações envolvidas nos dois conflitos fundaram duas entidades de
coalisão, uma para ser de todos, a ONU, e outra para ser apenas daqueles que
queriam e fizeram a dominação sobre tudo mais, a OTAN – Organização das Nações
do Atlântico Norte, os mais ricos, os mais tecnológicos, os mais bem armados,
nunca obedecendo as determinações da ONU.
Os
países secularmente dominados e espoliados pelos grandes da OTAN ficaram
excluídos do processo de desenvolvimento e muito propensos a combater os
efeitos dos grandes e, por isso, sempre muito próximos da ideologia comunista
que, como se sabe, prega a ideologia do “nós contra eles” e a de que “eles são
a nossa desgraça”. Nesse âmbito e reforçado por outras condicionantes prosperou
e prospera o islamismo e o ateísmo marxista.
Não
dá para prosseguir aqui nesta análise sem recordar que os países líderes
economicamente, na Europa, são os mesmos que se afastaram da Igreja de Roma do
século XVI em diante, através, entre outras razões, dos movimentos conhecidos
como Renascença e Iluminismo, duas grandes ondas intelectuais anticatólicas, à
margem das influências do Papa.
E
também há que salvaguardar que o atraso ibérico precisa ser debitado,
principalmente, a dois episódios: a dominação árabe por um milênio e a forte
influência da Igreja Romana, como se sabe, à margem do iluminismo, que viajou
nas asas do movimento religioso protestante.
A
riqueza dos países protestantes era, também, um sintoma egoístico: o que é meu é
somente meu e se você se distrair eu fico também com aquilo que você não pegou
pra ti.
Por
ene razões culturais, incluindo-se aí a religião, muitos países abriram a
guarda e os mais expertos pegaram grandes fatias de suas riquezas, só
percebidas muito mais tarde. Portugal e Espanha fizeram isso com suas colônias.
Fizeram e não souberam aproveitar.
Os
refugiados que hoje chegam aos milhares aos portos europeus são vítimas, antes,
da dominação externa, mas, muito, também, vítimas dos seus governos locais.
Faltou modernidade, faltou democracia, sobrou religião.
E
antes de agora a Europa já estava recheada de estrangeiros vítimas dessas
políticas citadas. São trabalhadores que chegam de muitos locais para ganhar a
vida fazendo aquilo que os europeus já não fazem por que não querem ou por que
não têm quem faça. Lá estão brasileiros aos milhares.
Quando
a Grã Bretanha plebiscita a permanência ou não na União Europeia, muito mais
olhando para a pobreza que atravessa o Mar Mediterrâneo, e o faz querendo
escapar das responsabilidades que o coletivo vem assumindo meio a contragosto, esquece-se
que a própria confederação bretã já não sobrevive sem os imigrantes. Talvez os
Estados Unidos não sobrevivam sem os imigrantes. É uma espécie de reedição da
escravidão, processo que esses países conhecem muito bem.
Milhares
de bretãos deixaram de votar. Hoje estão arrependidos, porque seu país está
saindo da União Europeia e isso vai doer.
A
Grã Bretanha exerce o egoísmo em relação aos pobres que pedem asilo e exerce o
egoísmo em relação à União Europeia. Começou a fazê-lo quando não aderiu ao
Euro moeda.
Isso
vai ter um preço. Vamos pagar para ver.
Toda
a solidariedade humana que faltou ao longo de séculos vem faltar de novo agora.
O modelo europeu de desenvolvimento exclui. O feudalismo excluía. E os
excluídos, antigamente, emigravam para terras desconhecidas. O Brasil e as
Américas receberam milhões de excluídos. Hoje os descendentes de excluídos
estão retornando à Europa e aos Estados Unidos.
As
levas emigrantes, sob a condição de refugiados, e mais gravemente forte, estão
vindos dos países da Ásia e da África, notadamente do Oriente Médio.
Quem
tiver uma solução para este barbarismo, que o diga.
Barak Obama tem dito que a solução tem de vir de
dentro da região afetada e procura investir no avanço das lideranças locais.
Pode estar certo, mas e o que fazer com a demora? A fome dos sírios, curdos,
afegãos, iraquianos, nigerianos e tantos outros precisa ser aplacada hoje
ainda.
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