Mais uma morte do Brasil
Introdução
É,
pois, um absurdo pensar que o Brasil pode ter morrido e que voltará a morrer,
mas a verdade é uma só e na maioria das vezes a verdade dói: morrer fazer parte
do renascer, do recomeçar.
Toda
a natureza nos dá mostras da morte e da reciclagem.
Morrer,
como um dos estágios da vida, parece ser algo normal. Todos morreremos ao menos
é o que se tem fundamentado. É assim que tem de ser entendido. Mas, a questão é
que temos pavor da morte e, ao mesmo tempo, fugimos da vida. Em direção da
morte. Escrevo isso sobre o ser humano em outro blog (Maioridade Espiritual).
Mas,
aqui, o morto e ressuscitado é o Brasil.
Não
há nada de absurdo falar das mortes do Brasil.
Continue
lendo e você verá...
Uma
morte aparente a cada experiência
Cada
um de nós é incapaz de avaliar os reinícios como uma morte do Ser velho e um
nascimento do Ser novo. Mas, é isso mesmo que acontece conosco. E aconteceu com
o Brasil uma meia-dúzia de vezes. Este processo é chamado de iniciação,
reiniciação, retomada, renascimento, recomeço. Isso se dá quando nos damos
conta que as coisas mudaram, que a fila andou e que nós também temos de mudar,
andar, transmutar, transformar, transnascer.
Com
os humanos, nascer é a morte do feto e o nascimento da criança; desmamar idem;
ir à escola pela primeira vez também; a descoberta do sexo, com certeza; a
primeira menstruação, idem; e aí vamos aduzindo e acrescentando o serviço
militar, a faculdade, o casamento, a formatura, a maternidade/paternidade, etc.
etc., não acaba nunca, nem mesmo com a morte do corpo, pois aí renasce o
espírito outra vez.
E
com o país, como será?
Os
países, as pátrias, não existem sem a gente, sem a nação. A sorte de um país é
a sorte do seu povo. A desgraça de um povo é a desgraça do país. A transição de
um modelo de poder para outro é a transição do povo para os efeitos de um
sistema de poder.
Costuma-se
repetir o que diz na Constituição: todo poder emana do povo e em seu nome é
exercido. Uma monstruosa mentira, em se tratando do Brasil que conheço. Temos
uma democracia de voto, mas o povo não escolhe os candidatos, são os partidos
que os indicam e os ensinam a iludir o povo para receber o sufrágio ou os
ensinam a comprar os sufrágios. Naquilo que se diz emanar do povo, na verdade é
o que emana das urnas: o referendo ao que já foi ditatorialmente imposto.
No
caso da presidência da república nos Estados Unidos da América, apesar de
outros senões, a escolha dos candidatos vem debaixo para cima. Aqui no Brasil,
não.
O
que vai mudar em termos de cidadania
Hoje,
talvez você sinta nojo ao acompanhar os noticiários brasileiros, da FIFA, do
estado islâmico e de outros. Talvez você não tenha se dado conta que os réus
dos processos possam estar entre aqueles em quem nós votamos ou pertençam ao
partido que apoiamos. Não dá mais para ouvir de ninguém que lá naquela sigla
tem quem não se corrompeu e, portanto, temos que deixar como está porque as
coisas são assim mesmo.
O
modelo está errado e não adianta olhar para a Polícia Federal, para o juiz
Sérgio Moro a espera de que eles façam a limpeza. O lugar menos sujo é aquele
que menos sujamos. O político limpo é aquele que não se suja. O modelo tem de
permitir ao cidadão conhecer o candidato e tem de garantir ao cidadão que o
candidato não será um profissional do poder. Os partidos terão de ter programas
claros e seus representantes têm de assumir isso sem trocar de sigla para
garantir o poder. E sua eleição tem de se dar sem um caminhão de dinheiro.
Por
que não somos apaixonados pelos partidos como somos pelos times? Simples, é
porque o político não joga para nós, joga para ele. Temos de fazer esses caras
jogarem para nós, legislarem para nós, defenderem bandeiras que são nossas.
Esta,
então, será a morte do eleitor velho e o nascimento do eleitor novo, assim como
o Brasil já morreu em 1889, quando trocou a monarquia pela república; em 1930, quando
trocou a oligarquia da república “café com leite” pela ditadura de Vargas; em
1945, quando trocou a ditadura de Vargas pela frágil república do Rio de
Janeiro; em 1964, quando trocou a ameaça comunista pelo regime militar; em 1982,
quando sonhou com eleições diretas e desembocou num republicanismo não
federativo; em 2016, quando descobriu a podridão dos poderes e agora está
morrendo novamente. Nascerá um novo Brasil? Sim. Melhor ou pior que este que
morre, não se sabe.
A
morte desejada é do corrupto
Mas,
a morte do corrupto não é a cadeia. Sabemos que a cadeia é falha como o é com
os traficantes. Eles continuam mandando lá de dentro.
A
morte da corrupção é a mudança do modelo eleitoral.
O
corrupto que ocupa função pública ou privada onde são tratados interesses
coletivos não faz mal apenas para os outros. Faz mal para ele próprio. Levará
séculos depurando sua alma. Será que eles sabem disso?
E,
nós, eleitores, temos de estar conscientes de que um mau voto, um voto leviano,
irresponsável, impensado, por mera simpatia, é um voto tão nocivo quanto o
daquele esperto que negocia seu voto embolsando vantagens imediatas ou futuras.
É
com essa leviandade eleitoral que os candidatos se fartam.
Temos
de pegar pesado contra o modelo eleitoral que aí está. Ele é a porta aberta da
corrupção. Ela começa antes do candidato eleger-se. E apenas se consolida
depois que ele assume.
A
outra providência é minguar a verba federal. A maior fatia tem de ficar com o
município e quase nada lá no federal. Assim, o Congresso, o Executivo e o Poder
Judiciário terão que trabalhar legislando, propondo e julgando sem tocar no
poder do dinheiro.
As
obras de interesse intermunicipal seriam executadas por consórcios de
municípios com a participação do Estado.
Precisamos
discutir isso.
Assim temos de pensar
Veja o que escreve o médico Luiz Alberto da Silveira:
Sete bilhões de seres humanos estão irrequietos,
inquietos com os caminhos possíveis no planeta. Barbárie, terror, morte,
sofrimento e dor ocupam cada vez mais momentos em nossas vidas. Deixando-nos
com medo, deixando-nos atônitos. O terror em Paris nos horrorizou. As razões
para a migração nos enchem de angústias pelas dores visíveis incluindo
mulheres, idosos e crianças. A Europa parece estar prestes a explodir. O
Oriente já está explodindo em sufocos, morticínios e insegurança. A América do
Norte encontra-se envolvida em guerras sem fim sob o argumento de que faz a
guerra para garantir a paz. Irmãos explodem irmãos sem saber exatamente porque.
Porque tantos déspotas conseguem produzir tantos sofrimentos?
E o nosso Brasil? Pela foto do presente que filme podemos antever no futuro? Drogas e mortes consequentes, roubos, assaltos e medos que mais e mais nos assolam. Constituímos o Estado brasileiro em instituições que devem nos guardar e proteger, que devem gerar Ordem e Progresso, e para tanto pagamos tributos. Para termos conforto, evolução, paz e harmonia na direção de uma felicidade mais permanente. E o que estamos assistindo em nossa nação? Disputas, lutas, grupos armando-se, ameaças explícitas e veladas, severos riscos econômicos e sociais, insegurança de toda ordem. É fácil ver o final deste filme se o roteiro continuar o mesmo. Corremos o risco de ter a dor de um confronto civil, ou já estamos em confronto civil?
Homens e mulheres de bem, de amor e fraternidade, arregacem as mangas, entrem nesse filme, manifestem-se de todas as formas que puderem, arregimentem pessoas do bem, deem-se conta dos nossos riscos. Eles estão escancarando-se cada vez mais. Não admitamos mais "brigas" políticas cujo único intento é o poder. Exijamos o pensamento no bem-estar de todos, exijamos a decência, abominemos a retórica radical ideológica e o discurso fácil de sempre pagos por nós nos programas partidários de TV. Já está passando da hora e a hora tem que ser dos ideais de nossa nação.
Tudo o que nos sucede é consequência de nossas ações, individuais e coletivas. Tudo de bom ou ruim decorre de nós mesmos. Tentem ver o filme não somente a foto. Tomemos em nome do bem e da fraternidade as rédeas do nosso futuro. Nos comuniquemos neste sentido em larga escala. Ou estaremos submetidos às barbáries que estão cada vez mais intensas e próximas.
Bom fim de semana.
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