domingo, 23 de agosto de 2020

 

Uma dívida monstruosa

 

Eu criei dois blogues através dos quais expresso meus sentimentos e exteriorizo minhas reflexões. Um deles se chama “Maioridade Espiritual”, dedicado a contribuir para a elevação humana acima do barro do qual fomos constituídos, o húmus, de onde deriva a palavra “humano”; o outro “Cidadão 21” é um blogue político, filosófico, jornalístico, dedicado a chamar o cidadão e a cidadã para a maioridade cívica, deixar de ser massa de manobra de políticos safados que mentem para eleger e se elegem para se aproveitar da Pátria.

Até tenho sido relapso publicando muito pouca coisa nos dois blogues, quem sabe até por desencanto sobre muitas coisas.

Mas, esta semana, entre meditações e leituras enquanto dura o afastamento social decretado pela ditadura dos déspotas da pandemia, surgiram reflexões que têm muito de espiritual e de política de Estado, logo cabem nos dois blogues. É o que farei. É o que estou fazendo.

Que reflexões são essas? Simples. Estamos em pandemia. 90% dos brasileiros foram atingidos em seus ganhos. Quem não perdeu? Não perderam aqueles que recebem dos cofres públicos nos três poderes. Com relação aos valores lícitos recebidos por eles, nenhum perdeu nada, até ganhou, pois não foram poucas as denúncias e investigações sobre corrupção na montagem de hospitais de campanha, na compra de materiais e de remédios. Quem mais perdeu? Aquele brasileiro pobre que precisou ficar em casa com 600 reais (se é que teve acesso) e que todos sabemos mal dá para servir a mesa.

Por que essa discriminação? Por que esses privilégios, que o Senado tentou garantir ao bloquear vetos do presidente contra aumentos a servidores públicos enquanto durar a pandemia?

Ora, meu amigo leitor, deixemos de ser infantis, essa mesma situação vem desde o descobrimento deste nosso amado Brasil.

Para cá foram mandados presidiários que estavam segregados nas masmorras portuguesas com a missão de ocupar o solo, porém sem nenhum recurso, sem nenhum apoio. Em seguida vieram os africanos escravos, para ser vir de mão-de-obra gratuita nas fazendas, minas, engenhos e mansões dos poderosos protegidos pelo Império.

Logo depois viram os excluídos da Europa, alemães e italianos, principalmente, alguns para serem “escravos” nas plantações de café, outros para ocupar terras sem nenhum valor porque eram pirambeiras. E de novo todos sem nenhum apoio oficial.

A escravidão foi abolida e os escravos abandonados à própria sorte, enquanto cada dia mais iam se formando ilhas de privilégios nos gabinetes oficiais. Sabem quanto ganham os privilegiados em relação aos não privilegiados? Mais de 100 vezes mais.

Sabem aonde os privilegiados aplicam as sobras de suas rendas? Em viagens ao exterior, em compras no exterior e em mercado de capitais que não geram empregos.

Sabem aonde os não privilegiados batem à procura de empregos? Nas portas das empresas de brasileiros que sofrem com falta de recursos, sofrem com a falta de funcionários qualificados, sofrem com a falta de financiamentos, sofrem com a falta de mercado para sua produção, sofre com a falta de poder aquisitivo da imensa maioria daqueles que poderiam ser consumidores potenciais.

Está instalado o círculo vicioso: o dinheiro dos tributos (que é muito grande) apenas em pequena parte volta para gerar desenvolvimento, pois é abocanhado por uma minoria privilegiada que aplica fora do princípio gerador de desenvolvimento.

Essa é a dívida monstruosa, não apenas política, mas também, e muito, espiritual, de nossa Pátria para com seus patriotas.

 

Reage Brasil.

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