Uma dívida monstruosa
Eu criei dois blogues através dos quais expresso meus
sentimentos e exteriorizo minhas reflexões. Um deles se chama “Maioridade
Espiritual”, dedicado a contribuir para a elevação humana acima do barro do
qual fomos constituídos, o húmus, de onde deriva a palavra “humano”; o outro “Cidadão
21” é um blogue político, filosófico, jornalístico, dedicado a chamar o cidadão
e a cidadã para a maioridade cívica, deixar de ser massa de manobra de
políticos safados que mentem para eleger e se elegem para se aproveitar da
Pátria.
Até tenho sido relapso publicando muito pouca coisa
nos dois blogues, quem sabe até por desencanto sobre muitas coisas.
Mas, esta semana, entre meditações e leituras enquanto
dura o afastamento social decretado pela ditadura dos déspotas da pandemia, surgiram
reflexões que têm muito de espiritual e de política de Estado, logo cabem nos
dois blogues. É o que farei. É o que estou fazendo.
Que reflexões são essas? Simples. Estamos em pandemia.
90% dos brasileiros foram atingidos em seus ganhos. Quem não perdeu? Não
perderam aqueles que recebem dos cofres públicos nos três poderes. Com relação
aos valores lícitos recebidos por eles, nenhum perdeu nada, até ganhou, pois
não foram poucas as denúncias e investigações sobre corrupção na montagem de
hospitais de campanha, na compra de materiais e de remédios. Quem mais perdeu?
Aquele brasileiro pobre que precisou ficar em casa com 600 reais (se é que teve
acesso) e que todos sabemos mal dá para servir a mesa.
Por que essa discriminação? Por que esses privilégios,
que o Senado tentou garantir ao bloquear vetos do presidente contra aumentos a
servidores públicos enquanto durar a pandemia?
Ora, meu amigo leitor, deixemos de ser infantis, essa
mesma situação vem desde o descobrimento deste nosso amado Brasil.
Para cá foram mandados presidiários que estavam
segregados nas masmorras portuguesas com a missão de ocupar o solo, porém sem
nenhum recurso, sem nenhum apoio. Em seguida vieram os africanos escravos, para
ser vir de mão-de-obra gratuita nas fazendas, minas, engenhos e mansões dos
poderosos protegidos pelo Império.
Logo depois viram os excluídos da Europa, alemães e
italianos, principalmente, alguns para serem “escravos” nas plantações de café,
outros para ocupar terras sem nenhum valor porque eram pirambeiras. E de novo
todos sem nenhum apoio oficial.
A escravidão foi abolida e os escravos abandonados à
própria sorte, enquanto cada dia mais iam se formando ilhas de privilégios nos
gabinetes oficiais. Sabem quanto ganham os privilegiados em relação aos não
privilegiados? Mais de 100 vezes mais.
Sabem aonde os privilegiados aplicam as sobras de suas
rendas? Em viagens ao exterior, em compras no exterior e em mercado de capitais
que não geram empregos.
Sabem aonde os não privilegiados batem à procura de empregos?
Nas portas das empresas de brasileiros que sofrem com falta de recursos, sofrem
com a falta de funcionários qualificados, sofrem com a falta de financiamentos,
sofrem com a falta de mercado para sua produção, sofre com a falta de poder
aquisitivo da imensa maioria daqueles que poderiam ser consumidores potenciais.
Está instalado o círculo vicioso: o dinheiro dos
tributos (que é muito grande) apenas em pequena parte volta para gerar
desenvolvimento, pois é abocanhado por uma minoria privilegiada que aplica fora
do princípio gerador de desenvolvimento.
Essa é a dívida monstruosa, não apenas política, mas
também, e muito, espiritual, de nossa Pátria para com seus patriotas.
Reage Brasil.
Nenhum comentário:
Postar um comentário