Para
entender Damares
É só uma questão de estilo. Há, em
plena ebulição no Brasil, duas fortes correntes antagônicas capazes de, se não
houver civilidade, evoluírem para a pancadaria. Uma delas se diz moderna,
defende o aborto, quer mais direitos às minorias sociais e nos deu governos de
burocratas em que o Estado serve às elites, como foi desde 1808, quando fomos a
capital de todos os portugueses. A outra corrente se diz conservadora e
religiosa, contra o aborto e defensora da família. Teria muito mais a dizer de
uma e outra corrente, mas não vale a pena. Quando Abraham Weintraub e Damares
Alves defendem suas posições e nisso também se inclui o PR Jair, o fazem
radicalmente, exatamente como fazem os seus opositores. Não existe tese, existe
petardo.
A grande onda conservadora que deu a
vitória ao Bolsonaro estava quieta durante o longo período em que a chamada ala
moderna se perdeu, foi longe demais na apropriação do dinheiro público, coisa que
sempre existiu no Brasil, mas era menor ou muito bem escondida. E quando
revelada (graças a duas coisas básicas: a jovem presença da classe média nos
cargos do Ministério Público, da Polícia Federal e da Justiça), a imensa
maioria brasileira que trabalha, contribui, preserva valores de honra e pudor,
descobriu que não estava abandonada e foi às ruas e às urnas.
Como jornalista (velha guarda) e ciente
de que a maioria dos telespectadores, ouvintes e leitores vem da classe média,
que é a mesma que compra os produtos e serviços dos seus anunciantes, não consigo
entender por que a mídia oficial está tão distante dos seus públicos mais
numerosos. Aliás, entendo, as faculdades ensinam os nossos comunicadores a
abrir guerra com o empregador, e então começa pelo dono do veículo que lhe paga
e se estende para todos aqueles que empregam trabalhadores em todo o universo
privado.
É pena que Jair Bolsonaro e alguns de
seus porta-vozes não tenham sabido comunicar-se com mais de 70% dos brasileiros
cristãos, família, honrados, dependentes de seu trabalho como empreendedores ou
empregados. Essa legião infindável de eleitores se bem trabalhada com a informação
não radical, mas não avessa aos seus valores, jamais elegerá os nomes
preferenciais da mídia moderninha. E os anunciantes desses veículos
atravessados diante da realidade brasileira começarão a mendigar verbas de onde
manter-se. É só uma questão de tempo.
Damares é o extremo da posição conservadora,
mas não choca o Brasil honrado. Ela apenas precisaria ser mais discreta. A
família brasileira entende Damares.
Todos os formadores de opinião deveriam
dizer para o Brasil honrado que nenhuma nação prospera em que sua elite vive
dependurada nas tetas do poder público. Olhem para o mundo. As maiores riquezas
vêm da geração de renda pelos setores primário, mas fundamentalmente do
secundário e terciário. Quando a elite rica tem privilégios não oriundos do
empreendedorismo, como temos aqui, o dinheiro não é reaplicado na geração de
empregos e oportunidades. Assim se explica a pobreza, o desemprego, a favela, a
miséria.
Este jornalista velha guarda não era
inimigo do seu empregador. Nunca a guerra e sim a parceria entre trabalho e
capital irá gerar prosperidade. E na imprensa da minha época havia
prosperidade, havia emprego, o PIB crescia.
É o que penso sem ser radical.
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