segunda-feira, 12 de outubro de 2020

 

Para entender Damares

 

É só uma questão de estilo. Há, em plena ebulição no Brasil, duas fortes correntes antagônicas capazes de, se não houver civilidade, evoluírem para a pancadaria. Uma delas se diz moderna, defende o aborto, quer mais direitos às minorias sociais e nos deu governos de burocratas em que o Estado serve às elites, como foi desde 1808, quando fomos a capital de todos os portugueses. A outra corrente se diz conservadora e religiosa, contra o aborto e defensora da família. Teria muito mais a dizer de uma e outra corrente, mas não vale a pena. Quando Abraham Weintraub e Damares Alves defendem suas posições e nisso também se inclui o PR Jair, o fazem radicalmente, exatamente como fazem os seus opositores. Não existe tese, existe petardo.

A grande onda conservadora que deu a vitória ao Bolsonaro estava quieta durante o longo período em que a chamada ala moderna se perdeu, foi longe demais na apropriação do dinheiro público, coisa que sempre existiu no Brasil, mas era menor ou muito bem escondida. E quando revelada (graças a duas coisas básicas: a jovem presença da classe média nos cargos do Ministério Público, da Polícia Federal e da Justiça), a imensa maioria brasileira que trabalha, contribui, preserva valores de honra e pudor, descobriu que não estava abandonada e foi às ruas e às urnas.

Como jornalista (velha guarda) e ciente de que a maioria dos telespectadores, ouvintes e leitores vem da classe média, que é a mesma que compra os produtos e serviços dos seus anunciantes, não consigo entender por que a mídia oficial está tão distante dos seus públicos mais numerosos. Aliás, entendo, as faculdades ensinam os nossos comunicadores a abrir guerra com o empregador, e então começa pelo dono do veículo que lhe paga e se estende para todos aqueles que empregam trabalhadores em todo o universo privado.

É pena que Jair Bolsonaro e alguns de seus porta-vozes não tenham sabido comunicar-se com mais de 70% dos brasileiros cristãos, família, honrados, dependentes de seu trabalho como empreendedores ou empregados. Essa legião infindável de eleitores se bem trabalhada com a informação não radical, mas não avessa aos seus valores, jamais elegerá os nomes preferenciais da mídia moderninha. E os anunciantes desses veículos atravessados diante da realidade brasileira começarão a mendigar verbas de onde manter-se. É só uma questão de tempo.

Damares é o extremo da posição conservadora, mas não choca o Brasil honrado. Ela apenas precisaria ser mais discreta. A família brasileira entende Damares.

Todos os formadores de opinião deveriam dizer para o Brasil honrado que nenhuma nação prospera em que sua elite vive dependurada nas tetas do poder público. Olhem para o mundo. As maiores riquezas vêm da geração de renda pelos setores primário, mas fundamentalmente do secundário e terciário. Quando a elite rica tem privilégios não oriundos do empreendedorismo, como temos aqui, o dinheiro não é reaplicado na geração de empregos e oportunidades. Assim se explica a pobreza, o desemprego, a favela, a miséria.  

Este jornalista velha guarda não era inimigo do seu empregador. Nunca a guerra e sim a parceria entre trabalho e capital irá gerar prosperidade. E na imprensa da minha época havia prosperidade, havia emprego, o PIB crescia.

É o que penso sem ser radical.

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