Bem, acabou a copa, é segunda-feira, vamos
trabalhar
Engraçado, não? O brasileiro padrão se
encanta com futebol nos clubes e mais ainda quando a disputa significa o primeiro
lugar no Brasil, na América, no mundo. Faz isso também com o carnaval. Larga
tudo, tira férias, gazeia serviço, gazeia aula, compromete o orçamento
familiar, mas não fica de fora de uma festa assim como estas duas e muitas
outras.
O sábado, 7de junho de 2018, terá ares de
quarta-feira de cinzas. Toda a carne e toda cerveja e os foguetes estocados
ficarão para outra oportunidade.
Temer, o Congresso e o STF que se cuidem.
Brasileiro de ressaca é um perigo. A Dilma desceu a rampa logo depois dos 7x 1.
Mas, não. O Temer tem a seu favor o recesso
forçado da campanha eleitoral e o fato de faltarem poucos meses para deixar a
faixa presidencial e ser processado pela Justiça de primeiro grau.
O que precisa ser perguntado é o que que os
brasileiros vão fazer em outubro.
Nós temos uma multicentenária cultura de
paternalismo governamental inaugurado aqui desde antes da chegada da Coroa
Portuguesa, em que se doavam terras através de capitanias hereditárias,
continuada depois da Coroa com as concessões de títulos de nobreza, em que os
barões, condes e viscondes respondiam por retribuir ao poder central e mais uma
vez faziam a parte no paternalismo, que deu origem aos partidos populistas. A
Casa Grande acenava com algumas benevolências e a Senzala exultava de
felicidade e caía na euforia do samba ou coisa parecida, como ainda vai
acontecer.
A Constituição de 1988 trás quatro deveres
e 127 direitos aos cidadãos. Então a galera deita e rola atrás dos benefícios
sem se importar com o circo em chamas. Não é culpa da galera, as elites
ensinaram isso pela prática. É raro você encontrar um político que não tenha
misturado o dinheiro público com o seu, desde o presidente até o ascensorista
do elevador da repartição menos importante.
Então, o presidente de 2019 tem de ser um
salvador, como já foram Getúlio Vargas, Jânio Quadros, os militares de 1964, o
Collor, o Lula. Esta cultura é a única que toma ferro a cada novo salvador que
encontra e volta a cair no mesmo buraco, achando que a queda se deve à educação
que recebeu.
Estamos a algumas semanas da eleição
presidencial e já tem salvador no pedaço.
Vai ser muito difícil e muito demorado nós,
brasileiros elegermos um Projeto de Nação, com linhas claras de gestão da coisa
pública. Continuaremos a procura de um salvador. E este, por não ter
compromisso algum com nenhum projeto que não seja o populismo que se vale do
futebol e do carnaval, entre outras cachaças, fará o que bem entender. Poderá dar
certo em parte, mas ele, por falta de respaldo da sociedade, terá de comprar os
votos do parlamento e do supremo para fazer o que ele quiser enquanto estiver
no poder. E haja mais corrupção. Ou então haja impeachment, renúncia, golpe de
estado.
E o eleitor, embriagado pelas cachaças que
consumimos em nome de uma cultura mal acostumada, irá repetindo ressacas e
chorando misérias. Não sei até quando.
Mas, dia 9 de julho de 2018, apesar de
feriado em São Paulo, é segunda-feira para todo o Brasil. Vamos trabalhar,
cambada. A copa acabou pra nós.
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