Temer vai a 2018?
Bem no comecinho do governo Temer
após a interinidade, os sinais eram muito fracos, apesar da popularidade do
presidente ainda ser razoável, do tipo assim, “o piloto sumiu, o avião está à
deriva e um passageiro assumiu o manche e todos puderam respirar, enfim,
aliviados e aplaudir”. Mas, vieram as denúncias. O ministério está bichado. A
toda hora saem ministros e assessores acusados de coisa séria. O presidente é
denunciado. A popularidade cai. O presidente amacia as tensões.
Além do mais, a campanha de 2014 foi
uma barbaridade. A presidenta não só arrombou com as contas do país, como
gastou horrores para garantir a reeleição e levar com ela o vice. E agora? O
TSE caça a chapa Dilma-Temer ou caça apenas a cabeça da chapa?
Pelo sim, pelo não, Gilmar Mendes, que
é o homem do TSE, viajou a Lisboa de carona com Temer. Um magistrado que tenha
essa caneta nas mãos jamais faria isso: estar a bordo do avião presidencial,
com as mordomias do voo, diante da possibilidade de bater o martelo naquele
julgamento.
E então, pelo sim, pelo não, Temer
vai a 2018 e passa a faixa ao sucessor eleito?
Analistas de fora, não filiados ao
PMDB, nem ao PT, nem ao PSDB ou DEM, dizem que ele fica mais por falta de opção
do que por convicção política ou jurídica.
A esquerda está exausta, o centro não
tem alternativas e à direita falta representatividade. A dúvida, claro,
permanece na atuação do TSE e do Judiciário a partir de agora. Mas, Mendes
viajou tomando drinks com Temer. Até passou mal e nem foi ao enterro do Mário
Soares.
De todo modo, esse tempo do governo
Temer será um momento de baixa credibilidade institucional, apesar de isso ter
mais a ver com membros das instituições do que com elas próprias. O Brasil é o
Brasil. Até o passado é imprevisível. São poucos os países cujas instituições
teriam resistido a uma enorme recessão, a uma inflação galopante, a um
desemprego mortífero, um processo de impeachment, a prisão de um presidente do
legislativo e quase a prisão do outro presidente da outra casa, tudo isso em
poucos meses... Haja turbulência nesse voo.
Em qualquer lugar do mundo momentos
de crise como estes tendem a colocar um estresse muito grande nas instituições,
demonstrando mais claramente onde ficam os elos fracos. E no Brasil, os elos
fracos são os homens. As instituições parecem resistir.
Mas, vem aí cobranças por reformas
políticas, no processo de formação de coalizões e no do sistema eleitoral e até
uma reforma do Judiciário. Com a Justiça mais célere e que providenciasse um
tratamento mais igualitário aos políticos, será que o Brasil teria passado por
todas as angústias de 2016?
Pelo sim, pelo não, Renan Calheiros
faz jus ao seu nome, mantém na calha, encalhados todos os processos contra ele.
Aliás, o Supremo Tribunal Federal faz isso há uma década. Por amor à Renan? Sem
uma mudança mais profunda do Judiciário, o Ministério Público e a Polícia
Federal que se cuidem: suas ações podem se esvaziar.
Se Temer for a 2018, em que marcas ou
legados ele será lembrado? Vejam, o Juscelino deixou Brasília, o Jânio deixou a
renúncia, Jango deixou a baderna sindical, os militares deixaram o milagre
brasileiro, Collor deixou a casa da dinda, Itamar deixou o real, Lula deixou a
corrupção, Dilma deixou a falência. E Temer deixará o que?
Poderá deixar a Operação Lava Jato se
é que ele seus compadres não estejam a tramar uma freada. Deixará a volta do neoliberalismo
econômico? Vencerá a crise? Fará as reformas que estão badaladas?
Parece que não. O perfil Temer é
contemporizador e assim ele será engolido pelas duas casas legislativas, fisiológicas,
sem nenhum compromisso com a nação.
Se fracassar em todos os desafios,
pobre Brasil. Corremos o risco de aventureiros mostrarem mais coragem que o
atual presidente e podem querer bater na mesa. O pior é o que o povo vai
aplaudir. Será que o piloto é frouxo? Pulou de paraquedas? Desmaiou? Se borrou?
O povo não saberá exatamente o que
aplaude, mas vai aplaudir.
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