sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Senhores, façam suas apostas


Temer vai a 2018?

Bem no comecinho do governo Temer após a interinidade, os sinais eram muito fracos, apesar da popularidade do presidente ainda ser razoável, do tipo assim, “o piloto sumiu, o avião está à deriva e um passageiro assumiu o manche e todos puderam respirar, enfim, aliviados e aplaudir”. Mas, vieram as denúncias. O ministério está bichado. A toda hora saem ministros e assessores acusados de coisa séria. O presidente é denunciado. A popularidade cai. O presidente amacia as tensões.

Além do mais, a campanha de 2014 foi uma barbaridade. A presidenta não só arrombou com as contas do país, como gastou horrores para garantir a reeleição e levar com ela o vice. E agora? O TSE caça a chapa Dilma-Temer ou caça apenas a cabeça da chapa?

Pelo sim, pelo não, Gilmar Mendes, que é o homem do TSE, viajou a Lisboa de carona com Temer. Um magistrado que tenha essa caneta nas mãos jamais faria isso: estar a bordo do avião presidencial, com as mordomias do voo, diante da possibilidade de bater o martelo naquele julgamento.

E então, pelo sim, pelo não, Temer vai a 2018 e passa a faixa ao sucessor eleito?

Analistas de fora, não filiados ao PMDB, nem ao PT, nem ao PSDB ou DEM, dizem que ele fica mais por falta de opção do que por convicção política ou jurídica.

A esquerda está exausta, o centro não tem alternativas e à direita falta representatividade. A dúvida, claro, permanece na atuação do TSE e do Judiciário a partir de agora. Mas, Mendes viajou tomando drinks com Temer. Até passou mal e nem foi ao enterro do Mário Soares.

De todo modo, esse tempo do governo Temer será um momento de baixa credibilidade institucional, apesar de isso ter mais a ver com membros das instituições do que com elas próprias. O Brasil é o Brasil. Até o passado é imprevisível. São poucos os países cujas instituições teriam resistido a uma enorme recessão, a uma inflação galopante, a um desemprego mortífero, um processo de impeachment, a prisão de um presidente do legislativo e quase a prisão do outro presidente da outra casa, tudo isso em poucos meses... Haja turbulência nesse voo.

Em qualquer lugar do mundo momentos de crise como estes tendem a colocar um estresse muito grande nas instituições, demonstrando mais claramente onde ficam os elos fracos. E no Brasil, os elos fracos são os homens. As instituições parecem resistir.

Mas, vem aí cobranças por reformas políticas, no processo de formação de coalizões e no do sistema eleitoral e até uma reforma do Judiciário. Com a Justiça mais célere e que providenciasse um tratamento mais igualitário aos políticos, será que o Brasil teria passado por todas as angústias de 2016?

Pelo sim, pelo não, Renan Calheiros faz jus ao seu nome, mantém na calha, encalhados todos os processos contra ele. Aliás, o Supremo Tribunal Federal faz isso há uma década. Por amor à Renan? Sem uma mudança mais profunda do Judiciário, o Ministério Público e a Polícia Federal que se cuidem: suas ações podem se esvaziar.

Se Temer for a 2018, em que marcas ou legados ele será lembrado? Vejam, o Juscelino deixou Brasília, o Jânio deixou a renúncia, Jango deixou a baderna sindical, os militares deixaram o milagre brasileiro, Collor deixou a casa da dinda, Itamar deixou o real, Lula deixou a corrupção, Dilma deixou a falência. E Temer deixará o que?

Poderá deixar a Operação Lava Jato se é que ele seus compadres não estejam a tramar uma freada. Deixará a volta do neoliberalismo econômico? Vencerá a crise? Fará as reformas que estão badaladas?

Parece que não. O perfil Temer é contemporizador e assim ele será engolido pelas duas casas legislativas, fisiológicas, sem nenhum compromisso com a nação.

Se fracassar em todos os desafios, pobre Brasil. Corremos o risco de aventureiros mostrarem mais coragem que o atual presidente e podem querer bater na mesa. O pior é o que o povo vai aplaudir. Será que o piloto é frouxo? Pulou de paraquedas? Desmaiou? Se borrou?

O povo não saberá exatamente o que aplaude, mas vai aplaudir.

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