Pontos
de vista sobre a insegurança
Uma
Organização Criminosa pode se chamar PCC – Primeiro Comando da Capital, CV –
Comando Vermelho, FDN – Família do Norte, ou pode ser uma sigla partidária como
estas que a Lava Jato está revelando. Os chefões podem estar presos em
Amazonas, no Acre, ou presos em Curitiba, ou soltos em Brasília.
Sinto
muito, não me contive.
O
objetivo de todas as organizações criminosas é o dinheiro e dinheiro fácil,
quer dizer, abundante, ainda que temerário.
Não
quero crer que eles desconheçam o perigo de serem pegos, processados,
condenados, trancafiados, ainda que tenham seus meios de escapar pelo vão de
alguma lei ou pelo vão dos dedos por onde passa o suborno do agente
penitenciário – outro bandido pago pela sociedade.
O
problema está na pena. O crime compensa. O cara faz o que faz, é condenado, tem
mordomias no cárcere, comanda de lá os seus subordinados e brevemente estará em
liberdade por este ou aquele jeito.
Quando
é executado, como ocorreu em Manaus e Rio Branco a família é indenizada.
A
sociedade está de saco cheio com tudo isso e por causa de tudo isso surgem as
opiniões ouço, agora mesmo:
Opinião
um – deixe que eles se matem entre eles, assim diminui a bandidagem e a despesa
do Estado com sua manutenção na cadeia;
Opinião
dois – eles aplicam a pena de morte, que o Estado não tem coragem de aplicar;
Opinião
três – eles devem morrer de um ou outro jeito pois jamais serão recuperados;
Opinião
quatro – o cara que corta a cabeça e arranca o coração de outro ser humano, é o
que?
Opinião
cinco – o Brasil está nas mãos dos bandidos sejam eles traficantes ou
políticos;
Opinião
seis – a Lava Jato deve investigar também o financiamento de campanha com
dinheiro sujo do tráfico de drogas;
Opinião
sete – (e última) de onde vem esta bestialidade assassina que estamos
assistindo e, de certa forma, virando a cara?
Temos
uma cultura muito violenta. Se colocar em plebiscito a pena de morte, ela
passa. O Brasil cortou a cabeça de Tiradentes. Em Canudos houve degola em massa.
No Contestado houve degola em massa. Na Revolução Federalista de 1893 houve
degola em massa e execuções. Em Florianópolis houve fuzilamento em massa na
mesma época.
Então,
se um bandidinho do Papaquara (bairro de Florianópolis) atira no carro da
turista de Novo Hamburgo-RS e a mata sem motivo algum, o leitor fica pensando,
este bandidinho tem de ser morto também. O soldado da PM de SC que atirou em
Ricardinho (surfista) pelas costas, se fosse pego pela população na hora e
local do crime não teria sido condenado a 21 de anos de prisão, teria sido
linchado até a morte.
Quem
pagou indenização às viúvas de Canudos, aos herdeiros de Tiradentes, aos
herdeiros do Contestado, da Federalista?
Minha
família esteve exilada entre 1894 e 1915 por conta da Revolução Federalista.
Vou pedir indenização.
O
cidadão que tem cães ferozes, cerca elétrica, câmeras, muro alto, também tem de
ser indenizado.
Para
terminar uma informação e uma sugestão: nas ruas do Brasil morrem mais
brasileiros executados um a um, dois a dois, do que nos massacres de Manaus e
Rio Branco. Alguém se escandaliza com isso? Bandido mata bandido e às vezes
bandido mata polícia e polícia mata bandido e os números são muito mais altos
que os quase 100 desses dois massacres. Esses números da rua não escandalizam.
Dessas indenizações ninguém fala. Dos pais de família que morrem nas estradas
esburacadas, mal sinalizadas, ninguém trata da indenização. Sugestão: obrigar,
por lei, todo preso condenado por tráfico de drogas fazer um seguro de vida e
assinar uma declaração isentando o Estado de assistir sua família.
O assunto não termina aqui.
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