sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Agora os iates




Esse é o Brasil?



Olha bem, faz tempo que a gente ouve por aí, nas esquinas, bares, cafés e restaurantes, que brasileiro não sabe votar e que por isso essa corja de ladrões chegou ao poder e fez o que fez.

Naturalmente, a culpa é jogada em cima do povinho iletrado, semi- analfabeto, que vende o voto por uma carga de brita ou pela ligação irregular da luz ou da água em seu barraco, também irregular, na favela.

Mas, veja bem, brasileiro contribuinte, consumidor, eleitor: na Prainha, em Florianópolis, SC, há uma marina onde estacionam e são conservados os barcos de uma multidão de milionários.

Não me interpretem mal. Não pertenço àquele time que mete bronca nos ricos esperando chegar lá. Não faço como o Lula e o Collor, que ganharam notoriedade condenando marajás e corruptos e foram exemplos daquilo que condenavam.

A notícia da semana em Santa Catarina é o sumiço dos iates da marina da Prainha. Motivo: a Lava Jato está vindo conferir a origem do dinheiro que comprou iates de 15 milhões ou mais.

Olha bem: se o cidadão tem um iate de alto valor e não pode provar a origem do dinheiro que pagou o preço do iate, começamos por descobrir que o favelado que troca o voto por uma carga de brita ou pela ligação da água que vai ser bebida pelos seus filhos ou pela luz que vai iluminar o seu barraco, esse cara é nada no contexto da imensa podridão que grassa em nossa sociedade e manda para os cargos mais importantes da República (legislativo, executivo e judiciário) pessoas sem estatura moral para tanto.

A imensa maioria dos que pagam a conta não é podre.

Não é podre, mas não acorda.

É com esse despertar que o Brasil conta para sair do buraco onde os cafajestes nos jogaram.

Reage Brasil.

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