segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Uma reforma no socialismo


Temos uma mentalidade materialista

Passamos 100 anos ou mais divergindo e aprofundando um fosso entre capital e trabalho, colocando patrão e empregado em trincheiras diferentes e criando leis que oprimem o empreendedor e beneficiam o trabalhador. Onde se lê benefício é isso mesmo, benesse, dificuldades para que mão-de-obra e capital pudessem ser aliados.

Nesse século de abismo entre o que se chama de esquerda e direita, passamos doutrinando e sendo doutrinados que as duas mãos nada podem construir juntas porque são incompatíveis. Passamos pregando e ouvindo que somos manetas: ou temos apenas a mão esquerda ou temos apenas a mão direita. E as duas não podem se ajudar, não podem construir juntas.

O poder da direita passou a ser visto como acumulador e o poder da esquerda passou a ser visto como distribuidor. Um faz o monte, o outro espalha.

Nada mais errado, pois a mentalidade materialista que se tornou cultura humana em todo o mundo, faz com que todos desejem ser capitalistas, ter propriedade, não depender de terceiros. Nasce, assim, a guerra: quem não tem quer tomar de quem tem, não pela cooperação, mas na marra, na porrada, na extorsão, na invasão. A Justiça Trabalhista, principalmente no Brasil, é a maior prova disso.

Se o trabalhador quer ser capitalista tanto quanto seu patrão, a reforma da mentalidade nas relações desses fatores tem um nome: cooperação. E não divergência, não oposição, complementariedade sim. A mão direita empreende, pensa, planeja, põe dinheiro, arrisca. A mão esquerda administra, põe a mão da massa, produz, transforma. O resultado disso tem de servir para os dois quando lucra e tem de pertencer aos dois quando perde. Hoje, a perda é muito mais da mão esquerda, pois na crise perde o emprego. Quando está maravilhosamente bem não participa da maravilha.

E isso começa na Universidade que precisa formar empreendedores, antes de tudo. Começa nos partidos que precisam defender e praticar a interação entre capital e trabalho. Caso contrário continuaremos brigando e perdendo.

Isso tem de chegar aos sindicatos e às centrais tipo CUT.

Em todos os lugares onde a esquerda governou, a crise chegou quando o monte acabou de ser distribuído. A esquerda não empreende, estatiza, centraliza, burocratiza, superdimensiona o Estado, inclusive com cargos. Acabada a riqueza, o povo tira a esquerda do poder.

Isso tem sido histórico.
Não se iludam.

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