Temos
uma mentalidade materialista
Passamos
100 anos ou mais divergindo e aprofundando um fosso entre capital e trabalho,
colocando patrão e empregado em trincheiras diferentes e criando leis que
oprimem o empreendedor e beneficiam o trabalhador. Onde se lê benefício é isso
mesmo, benesse, dificuldades para que mão-de-obra e capital pudessem ser
aliados.
Nesse
século de abismo entre o que se chama de esquerda e direita, passamos
doutrinando e sendo doutrinados que as duas mãos nada podem construir juntas
porque são incompatíveis. Passamos pregando e ouvindo que somos manetas: ou
temos apenas a mão esquerda ou temos apenas a mão direita. E as duas não podem
se ajudar, não podem construir juntas.
O
poder da direita passou a ser visto como acumulador e o poder da esquerda
passou a ser visto como distribuidor. Um faz o monte, o outro espalha.
Nada
mais errado, pois a mentalidade materialista que se tornou cultura humana em
todo o mundo, faz com que todos desejem ser capitalistas, ter propriedade, não
depender de terceiros. Nasce, assim, a guerra: quem não tem quer tomar de quem
tem, não pela cooperação, mas na marra, na porrada, na extorsão, na invasão. A
Justiça Trabalhista, principalmente no Brasil, é a maior prova disso.
Se
o trabalhador quer ser capitalista tanto quanto seu patrão, a reforma da
mentalidade nas relações desses fatores tem um nome: cooperação. E não
divergência, não oposição, complementariedade sim. A mão direita empreende,
pensa, planeja, põe dinheiro, arrisca. A mão esquerda administra, põe a mão da
massa, produz, transforma. O resultado disso tem de servir para os dois quando
lucra e tem de pertencer aos dois quando perde. Hoje, a perda é muito mais da
mão esquerda, pois na crise perde o emprego. Quando está maravilhosamente bem
não participa da maravilha.
E
isso começa na Universidade que precisa formar empreendedores, antes de tudo.
Começa nos partidos que precisam defender e praticar a interação entre capital
e trabalho. Caso contrário continuaremos brigando e perdendo.
Isso
tem de chegar aos sindicatos e às centrais tipo CUT.
Em
todos os lugares onde a esquerda governou, a crise chegou quando o monte acabou
de ser distribuído. A esquerda não empreende, estatiza, centraliza,
burocratiza, superdimensiona o Estado, inclusive com cargos. Acabada a riqueza,
o povo tira a esquerda do poder.
Isso
tem sido histórico.
Não se iludam.
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