quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Todo mundo diz



Lula precisa conhecer a cadeia

Creio que posso falar autorizadamente, de cadeira, como se diz. Quando ainda nos anos 1970 esboçava-se um movimento libertador de consciências dos humildes, sonhado pelos seguidores de Vigotski, Piaget, Paulo Freire e defendido por uma esquerda perfeitamente sonhadora, surgem, através de alguns setores da Igreja Católica, as Comunidades Eclesiais de Base e as Pastorais (da Terra, da Saúde, da Família, etc).

Foi a coisa mais interessante que o mundo e especialmente o Brasil receberam. Nas reuniões construtivistas das CEBs e das Pastorais, as pessoas secularmente dominadas por dogmas de mídia, política, religião, economia e cultura, eram despertadas para o contra movimento: você não precisa votar no político que só engana; você não precisa ser inimigo do seu patrão apenas porque ele explora aqueles que não tem consciência da importância da mão de obra na economia; você não precisa pagar juros escorchantes sempre que precisa de financiamento; você não precisa ser “maria vai com as outras” da mídia manipuladora das massas; e assim e assim por diante.

Vieram as ideias que desembocaram nas cooperativas de crédito, nas cooperativas de assentados, no MST, inclusive na necessidade de partidos com bases fortes no povo, que foi o caso do PT.

Intelectuais, pedagogos, jornalistas, políticos, operários, donas-de-casa (mulheres que até então eram objeto em casa) começaram a sair da sombra e a se organizar das mais diferentes maneiras, numas ideias puras e sinceras capazes de fazer a virada e fazer a diferença. Até o Bolsa Escola, depois Bolsa Família era uma boa ideia, que o PT entortou na medida que não criou uma porta de saída da esmola e a aproveitou para corromper o voto.

Pois bem, daí para a frente surgiram os aproveitadores dissimulados, lobos em pele de cordeiro. Mas os ingênuos sonhadores não sabiam disso ainda. Cito os casos Hélio Bicudo e Cristóvão Buarque, como poderia citar outros cem ou mil nomes, que foram abandonando o PT, condenando o MST e suas ramificações. A Igreja já havia feito isso antes de 1980.

A ideia original não incluía treinamento de guerrilheiros nas FARC, em Cuba ou Rússia, não incluía os roubos de milhões de dólares na Petrobrás, nos fundos de pensão e outros e outros que ainda serão revelados pela Lava Jato.

É nisso que afirmo: o Lula, assim com Zé Dirceu e muitos outros, tem de conhecer a cadeia, não só pelo roubo do dinheiro, também pelo roubo do sonho. Hoje, milhares de homens e mulheres de bem tem vergonha de dizer que são ou foram do PT porque o PT roubou o sonho de liberdade dos brasileiros.

Não me venham os mentores do PT dizer que não sabiam de muita coisa que rolava nas entrelinhas do movimento. Não só sabiam como autorizavam, mandavam pagar a conta.

Essas manifestações embandeiradas de vermelho não são autênticas, não são espontâneas, as pessoas são pagas. As invasões de terras não objetivam assentar agricultores sem-terra e sim apropriar-se dos imóveis para vender e partir para nova invasão. Só o INCRA e a Polícia Federal ainda não chegaram nesse escândalo.

Os militantes não conhecem a democracia do construtivismo de Vigotski, Piaget e Paulo Freire. A petezada quer levar no grito, na pressão, na porrada, no quebra-quebra, no assalto.

Haverá outro partido ou outros partidos com ligações na base? Sim, mas aprendemos a fracionar. Eles serão dezenas e isso é ruim. Lula conseguiu catalisar os pequenos partidos e formar a frente de esquerda chamada PT. Por isso também tem de ser castigado, pois traiu.         

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