Um
sonoro não deve ser a palavra
Penso
que sou um observador acostumado a tudo. Nasci no seio de uma guerra mundial,
meu país estava sob ditadura civil, minha emancipação como cidadão se deu no
seio de uma ditadura militar, estive filiado a um partido de resistência e um
tanto decepcionado pendurei a chuteira, mas não me aposentei como ser político.
Participei
de sindicatos, cooperativas, associações... Aliás, ainda participo.
Quando
Roberto Jefferson botou a boca no trombone e estourou o escândalo do Mensalão,
pensei que o Brasil estava se livrando de uma gang de poder e que a gente ainda
poderia acreditar em alguns políticos, inclusive de quase todas as legendas.
Mas,
a Operação Lava Jato veio mostrar que a coisa é bem mais séria do que eu
pensava. Muitos partidos políticos brasileiros precisariam ser fechados e seus
dirigentes impedidos de participar de novos partidos.
Agora,
em outubro, seremos chamados às urnas para eleger prefeitos, vice-prefeitos e
vereadores, exatamente aqueles que são as bases da política.
Quem
não saiba, um sistema como o nosso se apoia basicamente nos vereadores e
prefeitos. Juntos, eles são mais 70.000 cabos eleitorais para governadores e
deputados estaduais. Estes últimos são mais ou menos 1.000 cabos eleitorais que
se juntam aos outros 70 mil para servirem a deputados federais, senadores e
presidentes da república.
Se
o vereador e o prefeito quiserem, eles fazem uma limpeza de baixo para cima, do
mesmo modo que querendo eles tomaram parte no incrível esgoto político onde se
meteram quase todos os detentores de mandatos neste pobre e espetacular país,
chamado Brasil.
Pois,
faltam algumas semanas para as eleições municipais e nós podemos, querendo,
fazer uma limpeza ainda mais em baixo, dentro da urna.
Tenho
visto e participado de conversas que incentivam as pessoas organizadas em
sindicatos, associações, cooperativas, condomínios, ONGs, etc. a filtrarem
seriamente os candidatos que apoiarão. Primeiro de tudo, conhecer a quem
apoiar. Reuni-los em audiências populares, comprometê-los com documentos
assinados. Uma vez eleitos, monitorá-los continuamente e dependendo do seu
comportamento fazer abaixo-assinado e apresentar à Câmara e à Justiça Eleitoral
pedindo a sua cassação.
Como
que não pode? Pode, sim. O mandato é uma outorga popular e é o povo que tem de
propor a cassação do mandato outorgado.
Eu,
sei, não precisa chiar. Nós não conseguiremos muito, talvez 20% dos mandatos.
Mas, faremos um barulhão e acabaremos por constranger os outros 80%.
São
os tempos novos que nós mereceremos se fizermos por merecer.
Pense
bem. Tem outro jeito?
Um
sonoro não tem de ser a palavra a ser dada ao velho e pobre modelo de eleição e
de fazer política no Brasil.
No
meu próximo artigo, sobre terrorismo, vou relacionar o político ladrão com o
matador radical.
Até logo.
Uma ótima reflexão sobre sermos verdadeiros cidadãos compromissados com nosso bairro, nossa cidade, nosso Estado, nosso País e nosso Planeta!
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