sexta-feira, 29 de julho de 2016

Os iluministas do inferno


Iluminar apagando as luzes?

O mundo ocidental enfrentava sua segunda pior crise existencial ali em torno do século XVIII. A primeira tinha sido o racha da igreja.

A continuada sede de poder da Igreja Romana ao substituir ao Império Romano, que falira, permanecia levando papas, bispos e padres a um excessivo controle sobre as atividades humanas. A inquisição é um retrato disso. Levando os acusados de heresia – ser do contra - a um tribunal religioso, a igreja mandava-os queimar em praça pública. Quantos foram executados? Nunca se saberá, apesar de haver estatísticas que falam de até 100 milhões, o que certamente é um absurdo.

O Iluminismo nasceu daí, do grito de rebeldia da intelectualidade europeia contra os desmandos e exigências do clero e dos reis. Já tinha havido o racha provocado pelos protestantes e agora, através dos mais célebres intelectuais europeus tinha início o tempo de luzes. Immanuel Kant assim se expressou sobre aquele movimento:

"O iluminismo representa a saída dos seres humanos de uma tutelagem que estes mesmos se impuseram a si. Tutelados são aqueles que se encontram incapazes de fazer uso da própria razão independentemente da direção de outrem. É-se culpado da própria tutelagem quando esta resulta não de uma deficiência do entendimento, mas da falta de resolução e coragem para se fazer uso do entendimento independentemente da direção de outrem. Sapere aude! Tem coragem para fazer uso da tua própria razão! - esse é o lema do iluminismo".

Atenção leitor! A destutelagem (se assim podemos pensar e escrever) trouxe consigo uma aversão ao dominador intelectual, que era religioso (e cristão, no nome) e tinha o apoio dos monarcas, cometeu uma barbaridade com a alma das pessoas. Virou-se contra tudo o que era sagrado e com certa aversão ao poder do dinheiro. Assim Deus ficou de fora do Iluminismo. Como o capitalismo selvagem também servia aos interesses do Papa, esse mesmo Iluminismo abriu caminho ao marxismo, também ateu. Novo golpe ao sagrado humano.

Tudo mais não precisa ser dito. Nós crescemos muito em muitos setores da vida intelectual, econômica, política, mas chafurdamos em termos religiosos ao afastar o sagrado e ao fazer com que as pessoas não tivessem a menor noção do que será de sua alma. Batemos no muro. O terrorismo, a violência urbana, a ladroeira, as drogas, tudo pode debitado à falta de educação religiosa, aquela que prepara as pessoas para o após féretro.

E a França, que foi a capital das luzes e sede do ateísmo, tem em seu seio o caldo fundamental para fazer e sofrer terrorismo.

Finalizo acreditando que o Iluminismo iluminou apagando as luzes da espiritualidade. Iluminou com as chamas do inferno? E agora?

Minhas posições podem antever contrariedade em relação ao Iluminismo. Não é isso. Lamento o seu ateísmo. O iluminismo exerceu vasta influência sobre a vida política e intelectual da maior parte dos países ocidentais. A época do iluminismo foi marcada por transformações políticas tais como a criação e consolidação de estados-nação, a expansão de direitos civis e a redução da influência de instituições hierárquicas como a nobreza e a igreja.

O iluminismo forneceu boa parte do fermento intelectual de eventos políticos que se revelariam de extrema importância para a constituição do mundo moderno, tais como a Revolução Francesa, a Constituição polaca de 1791, a Revolução Dezembrista na Rússia, em 1825, o movimento de independência na Grécia e nos Balcãs, bem como, naturalmente, os diversos movimentos de emancipação nacional ocorridos no continente americano a partir de 1776.

Muitos autores associam ao ideário iluminista o surgimento das principais correntes de pensamento que caracterizariam o século XIX, a saber, liberalismo, socialismo e socialdemocracia.

Mas, faltou Deus ao Iluminismo. Ressalvo os Estados Unidos, onde os pais daquela pátria conseguiram associar o pensamento iluminista a um deus protestante.

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