sábado, 23 de julho de 2016

Bolívar, cadê você?



O que fizeram com o ideal bolivariano

Vamos estudar de onde os comunistas da América do Sul foram buscar o que chamam de ideal bolivariano para tomar o poder.

Simón José Antonio de la Santísima Trinidad Bolívar y Palacios Ponte-Andrade y Blanco (esse o seu nome todo), foi um filho da Venezuela predestinado a fazer a diferença em seu tempo. Em 1805, fez o juramento do Monte Sacro, em Roma, pelo qual assumiu que não descansaria enquanto não liberasse do domínio espanhol toda a América. O local era simbólico por ter servido de palco ao protesto dos plebeus contra a aristocracia da Roma Antiga.

Mas, o próprio Bolívar era um aristocrata de berço. Um daqueles filhos rebeldes de uma nobreza fidalga, à qual pertenciam os membros das forças militares e do clero.

Em meados de 1806, tomou conhecimento dos primeiros movimentos em favor da independência da Venezuela, protagonizados pelo general Francisco Miranda, decidindo que chegara a ocasião de retornar ao seu país natal. Mas, primeiro, em janeiro de 1807, foi beber democracia e liberalismo nos Estados Unidos. Visitou vários centros representativos daquela democracia modelar para seu tempo.

Quando chegou à Venezuela ainda em 1807, Napoleão Bonaparte havia colocado seu irmão José Bonaparte, rei da Espanha e das suas colônias.

A Junta de Caracas declarou a independência em 1810, e Bolívar foi enviado para a Inglaterra em missão diplomática, buscando o reconhecimento do novo país.

De volta à Venezuela em 1811, em julho de 1812, o líder da Junta, Francisco de Miranda foi preso e Bolívar precisou esconder-se para não cair preso também. Em Cartagena redigiu um manifesto ao povo e se lançou à luta. Em 1813 liderou a invasão da Venezuela, entrando em Mérida em 23 de maio, sendo proclamado El Libertador ("libertador"). Caracas foi reconquistada a 6 de agosto, sendo proclamada a Segunda República Venezuelana. Bolívar passou então a comandar as forças nacionalistas da Colômbia, capturando Bogotá em 1814. Entretanto, após alguns revezes militares, Bolívar foi obrigado a fugir, em 1815, para a Jamaica onde pediu refúgio e ajuda ao líder haitiano Alexander Petión. Ali redigiu a Carta da Jamaica.

Bem, a história é um pouco longa, mas em 1816, ele desembarca na Vanezuela, retoma a luta pela independência e recebe ajuda daquilo que seriam os futuros países livres: Colômbia, Bolívia, Argentina.

Durante a libertação de Quito apaixonou-se pela revolucionária Manuela Sáenz, de quem tornou-se amante, valendo a ela o epíteto de Libertadora do Libertador. Em 1828 ela o salvou de ser assassinado.

Em 1826 estava ele batalhando pela integração dos países da América do Sul.

Aqui a história é interrompida para a retomada de um conteúdo que é escondido da sociedade. O que pensava Bolívar?

“O novo mundo deve estar constituído por nações livres e independentes, unidas entre si por um corpo de leis em comum que regulem seus relacionamentos externos". Nessa frase dita por Simón Bolívar pode-se ter uma ideia de que ele era um homem à frente de seu tempo, de ideias revolucionárias. Em poucas palavras ele exterioriza diversas intenções e objetivos. Analisando-se a frase por partes, observa-se a intenção de:

Nações livres, sem o comando das metrópoles da época;

Independentes, tanto política como economicamente;

União dos povos, tanto com objetivo de formar blocos, sejam políticos ou econômicos, como para discutir problemas de ordem mundial.

A ideia de "nações livres" era, provavelmente, na época, o objetivo mais importante, pois sem a liberdade, não seria possível a conquista dos outros objetivos. E para isso, Bolívar não foi só um idealizador, e sim, um verdadeiro guerreiro, enfrentando as mais diversas batalhas. Mas ele não estava sozinho nessa luta. Os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade haviam se enraizado nos povos latino-americanos, pois o que se viu não foi uma luta isolada de Simon e seus fiéis seguidores. Foram lutas por toda a América Latina, onde cada região teve o seu "libertador", como era chamado Simon.

Na questão de independência, Bolívar via como necessária uma nação não só independente, mas também democrática: "Somente a democracia, no meu conceito, é suscetível de uma liberdade absoluta", vinculando a ideia de um governo democrático, além do fato, também, de ver a necessidade de que se tenha um projeto econômico.

Na terceira parte, ele propõe a união dos povos entre si "por um corpo de leis em comum que regulem seus relacionamentos externos". É mais nessa terceira parte que se pauta este trabalho, pois tais leis em comum seriam o Tratado de União, Liga e Confederação Perpétua.

Simon Bolívar também foi um grande defensor da separação dos poderes temporal e espiritual, posição essa fortemente influenciada pelos princípios maçônicos que professava ao lado de outros libertadores americanos, como Miranda, Santa Cruz e San Martin, além dos pais dos Estados Unidos, conforme depreende-se do manifesto que lançou em 1824/1825, perante o Congresso Constituinte da Bolívia.

Muito bem. Eis o Bolívar: democrático, liberal, ético, integrador, legalista.

Em que isso tem a ver com Maduro?

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