Quem
é que inventou esse périplo?
Pobre
Brasil. Uma tocha incandescente percorre esses brasis todos faz uma,
possivelmente, justa homenagem a figuras populares dos esportes, das artes, da
vida pública, mas...
E
o custo disso?
O
canudo que serve de suporte e contém o combustível que mantém o fogo aceso, não
recarregável, é descartado, custa uma nota preta, verde, azul...
Para
deixar com o interessado em guardar esse troféu, o Comitê Olímpico ou alguém em
seu nome está cobrando 1.000 reais.
Pobre
Brasil. Se para umas dezenas de pessoas olharem, aplaudirem e até vaiarem a
minha passagem pelas ruas de uma cidade segurando uma tocha olímpica é
necessário todo esse custo, “não atocha, eu não aguento!!!”
É
interessante como os jargões populares vão mudando.
Lembra
do “corta essa”?
Pois
é um amigo meu teve de pagar o preço de meia melancia numa feira popular. Ele
viu as melancias exuberantes e perguntou o preço. O feirante disse: “é tanto”.
O meu amigo retrucou “corta essa”. E o feirante, que não conhecia o jargão
urbano e jovem, meteu a faca na melancia e entregou a metade ao meu amigo que,
assustado, retrucou novamente, “mas, eu não quero”. “Quer, você mandou cortar
e, portanto, vai levar”.
Para
encurtar o causo, para não apanhar do feirante acabou levando a meia melancia.
Outro
jargão mais antigo, não urbano, era “não atocha”, isto é, não minta, fala
sério, porque atochar se conotava com inventar, iludir, aplicar um trote.
Pois,
foi essa palavra que me veio hoje pela manhã quando vi novamente pela enésima
vez o noticiário do périplo da tocha. Gritei “Não à tocha!”, como assim se
grita “Não à Dilma”, “Não ao Temer”.
Corta
essa, fala sério, não atocha. Esse país tem muito mais o que fazer do que ficar
passeando com uma tocha pelos rincões que choram a falta de escola, de
professores, de postos de saúde, de enfermeiros, médicos, remédios, estradas
esburacadas, ruas cheias de bandidos, congresso cheio de bandidos...
Agora
é tarde, mas o passeio da tocha teria de ser de caminhão aberto, com os políticos
em cima dele, passando pelas ruas e estradas esquecidas do governo. Cada vez
que o caminhão quebrasse ou atolasse, nada de socorro: ficariam lá na chuva, no
sol, no calor, no frio, sem comida, como fazem os motoristas sofridos que são
obrigados a passar por ali.
Aí,
sim, a tocha teria prestado um grande serviço aos brasileiros.
Do
contrário, não seu pra que que serve.
Tenho
dito.
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